El Niño causa desligamentos mais longos, alerta Abradee

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A população brasileira deve se preparar para um cenário de **desligamentos de energia** mais prolongados neste ano, em decorrência dos efeitos do fenômeno climático El Niño. A avaliação foi feita por Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), que destacou a vulnerabilidade tanto de redes aéreas quanto subterrâneas frente aos impactos previstos.

Espera-se que as consequências do El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico e, por sua vez, influencia significativamente os padrões climáticos globais, se manifestem com maior intensidade a partir do mês de outubro. No Brasil, onde pouco mais de 99% da infraestrutura de rede elétrica opera de forma aérea, a exposição a eventos climáticos severos representa um grande desafio para as concessionárias.

El Niño Causa Desligamentos Mais Longos, Alerta Abradee

Ricardo Brandão enfatizou, durante um workshop destinado a jornalistas, a urgência de aprimorar a resiliência da nossa infraestrutura energética. Ele alertou que a capacidade da rede em resistir e se recuperar de intempéries será fundamental para minimizar os transtornos. Os impactos econômicos globais do El Niño são substanciais, com projeções indicando um impacto negativo de 12% no Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul até o ano de 2050.

Como um indicativo da severidade do que pode vir, o diretor mencionou os eventos extremos que assolaram o Rio Grande do Sul em 2023, onde a passagem de dois ciclones já provocou significativas interrupções. No entanto, Brandão ressaltou que esses episódios podem não se comparar com a magnitude dos eventos esperados para 2024, quando algumas regiões gaúchas enfrentaram até 31 dias consecutivos de alagamentos, gerando caos e cortes prolongados de energia.

Mesmo em Porto Alegre, onde grande parte da rede de distribuição de energia é subterrânea, os alagamentos evidenciaram que nenhuma infraestrutura está totalmente imune aos desastres climáticos. O desafio imposto por esse cenário demanda não apenas reparos, mas também uma reformulação e adaptação das estratégias de planejamento e execução para garantir o fornecimento contínuo de energia elétrica.

Brandão detalhou as distinções nos impactos do El Niño entre as diferentes regiões brasileiras. Enquanto Sul e Sudeste são mais afetados por enchentes e ventos fortes, as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar períodos de seca intensa. Na porção norte e nordeste do país, a seca apresenta efeitos duplos, prejudicando a geração hidrelétrica e dificultando o transporte de combustíveis via barcaças, essenciais para as termoelétricas, o que leva à formação de estoques emergenciais. Além disso, as queimadas aumentam significativamente os casos de desligamento causados pela fumaça que afeta os componentes das redes elétricas.

Os impactos de cheias e fortes rajadas de vento, observados no Sul e Sudeste, representam um “grande desafio” para as distribuidoras. Exemplos recentes como os ventos imprevistos que atingiram o Paraná e o Rio de Janeiro sublinham a imprevisibilidade e a intensidade crescente desses eventos. Os dados dos últimos dez anos revelam que o Brasil testemunhou mais que o dobro de desastres climáticos registrados, apontando para uma escalada preocupante.

Em resposta a esse quadro, as distribuidoras de energia estão elaborando estratégias de contingência para enfrentar os severos impactos do El Niño e outros fenômenos climáticos. Planos de investimento na ordem de R$ 260 bilhões estão previstos para o período de 2026 a 2030. Destes, cerca de 40% serão destinados especificamente à modernização das redes elétricas, buscando incorporar novas tecnologias que possam minimizar a ocorrência e a duração dos desligamentos.

El Niño causa desligamentos mais longos, alerta Abradee - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

Apesar do avanço tecnológico, Brandão reconheceu que há limites para o que a engenharia pode resistir. Ele explicou que “não temos tecnologia que resista a uma árvore de 30 metros que cai”, ilustrando a fragilidade da infraestrutura frente a eventos de força extrema. Essa realidade sublinha a necessidade de soluções multifacetadas que integrem gestão de risco e políticas urbanísticas adequadas.

O diretor da Abradee também abordou a questão da arborização urbana. Embora seja um desejo comum ter cidades arborizadas, um estudo da Abradee, realizado após missões técnicas no Japão e nos Estados Unidos, revelou uma diferença crucial. Nesses países, que possuem metrópoles com alto índice de arborização, as árvores urbanas geralmente têm entre 3 e 5 metros de altura. No Brasil, é comum encontrar espécies que atingem de 25 a 30 metros de altura em ambientes urbanos, um fator de risco substancial.

Ricardo Brandão defendeu a substituição dessas grandes árvores, citando duas razões principais: muitas delas são espécies exóticas e, após atingirem um certo porte, representam um risco de segurança. Quando árvores de grande porte caem, os estragos provocados são enormes, e a queda simultânea de centenas delas pode ocorrer em eventos climáticos intensos. Essa situação resulta em um aumento significativo no tempo necessário para restabelecer o fornecimento de energia, dada a complexidade e escala dos reparos necessários.

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A complexidade dos desafios impostos pelo El Niño e outras variações climáticas exige uma atenção redobrada à nossa rede de distribuição de energia. Os investimentos previstos e a busca por resiliência são cruciais para assegurar que a população brasileira tenha acesso ininterrupto à eletricidade. Para mais informações sobre as ações do setor de energia frente às mudanças climáticas, você pode consultar fontes como a ANEEL, agência reguladora do setor elétrico brasileiro.

Manter a infraestrutura elétrica moderna e adaptar o planejamento urbano às novas realidades climáticas são passos essenciais para mitigar os riscos e garantir a estabilidade do abastecimento de energia em todo o país. Acompanhe a nossa editoria para continuar informado sobre Cidades e como elas se preparam para os desafios do futuro.

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