O cenário da bolsa brasileira em meio à efervescência da disputa política impulsionou uma reavaliação dos investimentos, colocando as melhores ações de dividendos em destaque. À medida que as sondagens eleitorais apontavam para um equilíbrio na corrida presidencial, investidores retomaram a compra de ativos domésticos, resultando em uma sequência de altas para o Ibovespa, que se recuperou para níveis próximos aos de maio, mitigando perdas anteriores.
No entanto, a valorização do mercado não se estendeu uniformemente aos papéis tipicamente favorecidos por estratégias focadas em proventos. O Índice de Dividendos (IDIV) registrou um decréscimo de 1,65% no encerramento de agosto, desempenho inferior ao do próprio Ibovespa. Essa conjuntura moldou as carteiras de investimento para o mês seguinte, formuladas antes que a dinâmica eleitoral estivesse totalmente delineada. As instituições financeiras optaram por uma abordagem que prioriza companhias com fluxo de caixa consistente e capacidade previsível de distribuição de proventos, evitando dependência de valorizações decorrentes de expectativas políticas.
Melhores Ações de Dividendos para Estabilidade nas Eleições
Dentre dez importantes corretoras e casas de análise consultadas para esta apuração, seis ações foram unanimidade, aparecendo em no mínimo cinco das recomendações de carteira examinadas. Companhias já conhecidas no rol de dividendos, como Petrobras e Allos, figuram com destaque. Outras, como a Axia Energia, e especialmente a Copel, se fazem presentes devido à natureza de suas receitas reguladas e a um menor risco inerente à sensibilidade por inadimplência, aspectos que atraem os investidores em períodos de maior incerteza.
A seguir, apresentamos a lista das ações de dividendos com maior número de indicações para o mês de setembro, acompanhadas de seu Dividend Yield (DY) acumulado em 12 meses:
- Petrobras (PETR4): 8 recomendações, Dividend Yield de 11,72%
- Allos (ALOS3): 7 recomendações, Dividend Yield de 13,06%
- Axia Energia (AXIA3): 7 recomendações, Dividend Yield de 4,20%
- Itaú Unibanco (ITUB4): 6 recomendações, Dividend Yield de 8,29%
- Vale (VALE3): 5 recomendações, Dividend Yield de 10,10%
- Copel (CPLE3): 5 recomendações, Dividend Yield de 9,49%
Petrobras (PETR4): Liderança no Ranking
A estatal lidera as preferências, sendo citada em oito das dez carteiras. O BTG Pactual ressalta o sólido desempenho operacional da companhia, que registrou uma produção acumulada de aproximadamente 2,77 milhões de barris por dia, superando sua meta inicial que variava entre 2,4 e 2,6 milhões. Adicionalmente, sua robusta capacidade de formação de preços é evidenciada pelo fato de que cerca de 70% de sua produção é utilizada nas próprias refinarias. O banco projeta um dividend yield de cerca de 9% para 2027 e antecipa uma redução do breakeven de fluxo de caixa livre, que pode se aproximar de US$ 60 por barril.
O Santander elevou sua recomendação para compra das ações ordinárias e ajustou o preço-alvo para R$ 60,00, estimando um dividend yield em torno de 10% até 2026, com a empresa priorizando a redução de seu endividamento. A Terra Investimentos destaca o desempenho no segundo trimestre, quando o lucro líquido da Petrobras atingiu R$ 52,4 bilhões, um aumento de 97% na comparação anual, com R$ 17,4 bilhões aprovados em dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JCP) naquele período. Para a Genial Investimentos, a Petrobras hoje é o símbolo mais preciso do que uma carteira de dividendos deve ser, harmonizando proventos elevados com um múltiplo que se justifica sem necessitar de crescimento.
Allos (ALOS3): Tese Defensiva no Imobiliário
A Allos, administradora de shoppings com um portfólio de 55 empreendimentos, sendo 45 próprios, garantiu presença em sete carteiras. É vista como uma das teses mais defensivas do segmento imobiliário listado na bolsa. O BTG Pactual aponta a previsibilidade de suas receitas, níveis de vacância e inadimplência considerados saudáveis, e um dividend yield projetado em torno de 13%. O banco também observa que o mercado ainda não precificou integralmente a mudança estratégica da companhia, que visa a otimização do retorno aos acionistas.
O Santander mantém a recomendação de compra, com um preço-alvo de R$ 38,50 e projeção de dividend yield de 13,5% para 2026. A análise mostra que a ação é negociada a 8,5 vezes o preço sobre o FFO (Funds From Operations) estimado, em contraste com a média histórica de 13,7 vezes. A XP Investimentos aumentou a alocação da Allos em sua carteira, de 7,5% para 10%, fundamentando sua decisão no valuation atraente e na maior transparência quanto ao retorno aos acionistas. A corretora calcula para a Allos o maior dividend yield entre as operadoras de shopping centers que monitora.
Axia Energia (AXIA3): Preferência no Setor Elétrico
A Axia Energia, anteriormente parte da Eletrobras, acumulou sete indicações e emerge como uma das companhias favoritas no setor elétrico entre as instituições consultadas. O BTG Pactual argumenta que a expectativa de preços de energia mais elevados beneficia diretamente a empresa, dada sua significativa quantidade de energia disponível para comercialização. Projeta um dividend yield médio de 10% entre 2027 e 2029, com a alavancagem da empresa caindo para 2,1 vezes em 2027.
O Santander estima um Ebitda de R$ 32,4 bilhões para a Axia Energia em 2026, representando um aumento de 47% em relação ao ano anterior, e vislumbra uma oportunidade para que a nova administração reduza em mais de 50% os custos relacionados a pessoal, material e serviços terceirizados nas suas subsidiárias mais importantes. A Andbank destaca a recente aprovação de um novo programa de recompra de ações no valor de R$ 3,7 bilhões, que eleva o montante total anunciado em 2026 para R$ 7,7 bilhões, com a maior parte da execução programada para o segundo semestre.
Imagem: infomoney.com.br
Itaú Unibanco (ITUB4): Defensiva no Setor Financeiro
O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, somou seis recomendações e é considerado a alternativa defensiva mais evidente em seu setor. O BTG Pactual mantém a ação como a preferida entre os grandes bancos, mesmo após um declínio de aproximadamente 10% em dólares em agosto, resultado de maiores resgates por investidores estrangeiros. O banco destaca a elevada qualidade dos ativos e a negociação do papel a 7,6 vezes o lucro estimado para 2027.
O Santander posicionou o Itaú como sua principal escolha entre as instituições financeiras, com um preço-alvo de R$ 51,00 para 2027. Esta projeção é respaldada pelo lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões registrado no segundo trimestre e por um Retorno Sobre o Patrimônio (ROE) de 24%. A Ágora Investimentos reforça que a rentabilidade superior e sustentável do banco justifica seu prêmio de valuation em comparação com seus pares, e o dividend yield agrega retorno de curto prazo aos acionistas.
Vale (VALE3): Crescimento Diversificado na Mineração
A mineradora Vale marca presença em cinco carteiras recomendadas. O BTG Pactual estima um retorno para os acionistas na faixa de 8% a 9% ao ano, combinando dividendos e recompras de ações. A análise do banco aponta que a companhia negocia com um desconto significativo em relação a pares globais e que sua tese de crescimento está cada vez menos dependente exclusivamente do minério de ferro, alicerçada na ambição de alcançar cerca de 700 mil toneladas anuais de cobre até 2035.
O Santander ajustou sua projeção para o preço do minério de ferro em 2026, elevando-o de US$ 100 para US$ 105 por tonelada, fundamentado por uma oferta limitada, custos globais em alta e uma demanda robusta da China, complementada pelo crescimento observado na Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio. A Andbank salienta o fluxo de caixa livre da Vale, que alcançou US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, equivalente a um yield anualizado de aproximadamente 10%, além dos US$ 1,7 bilhão anunciados em dividendos e juros sobre capital próprio, e o novo programa de recompra de ações.
Copel (CPLE3): Combinação Sólida no Setor Elétrico
A elétrica paranaense, Copel, encerra o rol das empresas mais recomendadas, com cinco indicações. O Itaú BBA a integrou em sua carteira, substituindo o Bradesco, e prevê um dividend yield em torno de 8% para o ano corrente. Essa estimativa baseia-se na combinação dos segmentos de geração, transmissão e distribuição da empresa, em sua baixa alavancagem e na expectativa de distribuição expressiva de proventos nos próximos anos.
O BTG Pactual atribui a evolução da Copel aos compromissos assumidos desde a sua privatização, com particular destaque para os resultados de sua distribuidora, a vitória no Leilão de Reserva de Capacidade e uma revisão tarifária mais vantajosa do que as projeções do mercado indicavam. O Santander calcula uma taxa interna de retorno real de 10,4% e enfatiza a nova política de dividendos como pilar para um fluxo previsível de proventos, em uma estratégia de baixo perfil de risco para o cenário de volatilidade atual.
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Fontes: BTG Pactual, Itaú BBA, Ativa Investimentos, Terra Investimentos, Ágora Investimentos, XP Investimentos, Genial Investimentos, BB Investimentos, Santander, Andbank e Economatica