A delação premiada de Daniel Vorcaro, banqueiro e proprietário do Banco Master, entra em uma nova fase. Preso há cinco meses, com duas propostas anteriores de colaboração rejeitadas, Vorcaro orientou sua equipe jurídica a empreender uma nova e minuciosa varredura de documentos, visando apresentar à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma terceira versão do acordo de delação. O empresário, que tem recebido advogados diariamente em sua cela de 65 metros quadrados na Papudinha, em Brasília – onde está desde o fim de junho, após passagem pela Superintendência da PF na capital federal – dedica grande parte de seus dias a discutir estratégias para convencer as autoridades sobre a validade de sua cooperação.
O corpo jurídico que assessora Daniel Vorcaro é composto por especialistas renomados em direito criminal, empresarial e financeiro. Entre as adições mais recentes à defesa, destaca-se o criminalista Daniel Bialski, que prontamente solicitou uma audiência com o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa demonstra um esforço renovado para reverter a impressão deixada pelas tentativas anteriores de colaboração.
Delação Daniel Vorcaro: banqueiro tenta 3ª versão preso há 5 meses
Na iminência de uma terceira rodada de negociações, a defesa de Vorcaro empenha-se em desmistificar a percepção inicial de que o banqueiro demonstrava pouca inclinação para colaborar efetivamente com as investigações. Para tal, a diretriz do empresário é clara: rastrear mensagens, e-mails, contratos e mídias de armazenamento como pen drives, HDs e telefones, em busca de material inédito. A medida visa complementar ou fortalecer linhas de apuração já existentes, ou mesmo pavimentar o caminho para novas frentes de investigação. Durante as fases da Operação Compliance Zero, por exemplo, oito aparelhos celulares pertencentes ao banqueiro foram apreendidos. A estratégia defensiva também abrange a insistência de Vorcaro de que os fundos do Master não eram contaminados por “ativos podres”, argumento que ele busca refutar com provas.
O advogado Daniel Bialski, que em outras ocasiões defendeu personalidades como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), pretende formalizar junto ao ministro Mendonça um pedido para que a equipe jurídica tenha mais tempo para se encontrar com seu cliente. Atualmente, a rotina na Papudinha limita as visitas de advogados e familiares a uma hora diária no parlatório, um tempo considerado insuficiente pela defesa frente à complexidade dos processos que envolvem Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, Bialski ressaltou a disposição do banqueiro em falar e colaborar. O objetivo da defesa é agilizar a aprovação da delação ainda neste mês, buscando mitigar qualquer possível influência do calendário eleitoral sobre o caso.
A construção dessa complexa saída jurídica resultou na visita de sete diferentes advogados a Daniel Vorcaro nas últimas semanas. Além de Bialski e de Sérgio Leonardo, que é amigo do banqueiro e integra sua defesa desde o princípio, o advogado Cézar Bittencourt também esteve na Papudinha. A presença de Bittencourt é estratégica, especialmente para orientar a relação com o STF, que Vorcaro avalia ser necessária uma postura menos conflituosa. O empresário busca superar atritos anteriores, como a saída do criminalista José Luis Oliveira Lima, o “Juca”, em maio, após desentendimentos com o ministro Mendonça.
Cézar Bittencourt, em particular, é um nome de peso neste cenário, pois foi o responsável pela delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, um acordo que serviu como base para a denúncia que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro na Suprema Corte por envolvimento na trama golpista. Essa experiência agrega um importante componente consultivo à defesa de Vorcaro, especialmente no que diz respeito ao relacionamento com a Corte.
Pessoas próximas ao banqueiro descrevem-no como extremamente focado em rebater as acusações que o apontam como líder de um esquema de fraudes financeiras. Ele demonstra abatimento e incredulidade diante da recusa da PF e da PGR em ouvir suas propostas anteriores. As duas primeiras tentativas de delação, uma liderada por Juca e a segunda por Sergio Leonardo, foram rejeitadas pelas autoridades com a justificativa de que não continham elementos probatórios novos ou substanciais o suficiente.
Imagem: infomoney.com.br
A avaliação dos investigadores, segundo o que foi noticiado, era que Daniel Vorcaro não apresentava uma genuína disposição de cooperar, além de possuir poucas condições de corroborar seus relatos com documentos. A percepção foi exacerbada pelo fato de o banqueiro já não ter controle do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Os anexos entregues pela defesa, para a PF e a PGR, não apresentavam fatos que pudessem ser considerados inéditos. Entenda mais sobre o conceito de delação premiada e seus impactos jurídicos lendo matérias aprofundadas sobre o tema, por exemplo, no portal do G1 da Globo.
Na Papudinha, onde ocupa uma das oito celas de 65 metros quadrados, Vorcaro agora desfruta de uma melhoria em suas condições carcerárias que não possuía na Superintendência da Polícia Federal: um televisor com acesso a canais abertos, visto que o aparelho não tem conexão com a internet. O alojamento é equipado com banheiro (incluindo box e chuveiro), cozinha, lavanderia, quarto e sala. Ele está no local há 48 dias.
Uma das preocupações do banqueiro envolve a possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro perder o benefício da prisão domiciliar. Tal cenário poderia implicar o retorno de Bolsonaro à cela que hoje é ocupada por Vorcaro. No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, avaliou que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares anteriormente impostas, mas, optou por mantê-lo em prisão domiciliar. Apesar dos desafios, Daniel Vorcaro, fortalecido por uma equipe de advogados reforçada e buscando demonstrar uma intenção clara de colaboração, ainda acalenta a esperança de conseguir a prisão domiciliar junto ao Supremo Tribunal Federal.
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A saga judicial de Daniel Vorcaro e suas tentativas de delação continuam sendo um dos destaques no cenário jurídico e financeiro do país, evidenciando a complexidade dos processos de investigação e os desdobramentos de acordos de colaboração. Acompanhe a editoria de Política para mais análises e atualizações sobre este e outros temas relevantes.
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