Neste sábado, 11 de maio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu uma ordem para que a Polícia Federal (PF) proceda à apreensão de passaporte de Thiago Miranda. O publicitário é apontado como tendo ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro e é proprietário de uma agência investigada por supostamente contratar influenciadores para veicular ataques contra o Banco Central e promover ações dirigidas a jornalistas. A informação inicial sobre a determinação foi publicada pelo site Metrópoles, e posteriormente teve sua veracidade confirmada pelo Estadão.
A medida cautelar se concretiza após a Polícia Federal expressar suspeitas sobre um risco iminente de que Thiago Miranda deixasse o país. Anteriormente, na última quinta-feira, 9 de maio, o publicitário já havia sido alvo de uma operação conduzida pela própria PF, aprofundando a investigação sobre a sua participação nos fatos em apuração.
Mendonça ordena apreensão de passaporte de Thiago Miranda
De acordo com os elementos apurados na investigação da PF, Miranda desempenhava o papel de intermediário entre Daniel Vorcaro, que é o proprietário do Banco Master, e as ações empreendidas por influenciadores. Estas ações tinham como objetivo atacar o Banco Central em decorrência da liquidação da instituição financeira de Vorcaro. Apesar das acusações, a defesa de Thiago Miranda reitera que não há nenhuma ilegalidade em sua conduta.
A decisão do ministro André Mendonça foi publicamente celebrada pelo deputado Lindbergh Farias (PT), que, em suas redes sociais, indicou que a solicitação da medida havia partido dele mesmo. “Ontem, pedi ao ministro André Mendonça a imposição de tornozeleira eletrônica, a apreensão do passaporte, a proibição de deixar o país e outras medidas cautelares contra Thiago Miranda. Em seguida, a Polícia Federal também identificou o risco concreto de fuga e representou pela retenção do documento”, afirmou o deputado. Ele acrescentou que a ordem de apreensão de passaporte de Thiago Miranda se deu em um contexto em que o publicitário, segundo Lindbergh, negociava valores diretamente com Flávio e Eduardo Bolsonaro.
As conexões políticas do publicitário com a família Bolsonaro foram detalhadas no decorrer das investigações. Thiago Miranda foi quem, no final de 2023, introduziu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência, a Daniel Vorcaro. Adicionalmente, Miranda teria atuado de maneira direta na mediação de pagamentos do banqueiro a um fundo sediado nos Estados Unidos, que supostamente seria utilizado para financiar a produção de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Evidências digitais corroboram parte das apurações. Diálogos extraídos do aparelho celular de Thiago Miranda pela Polícia Federal, e divulgados em maio pelo Intercept Brasil com posterior confirmação do Estadão, revelaram que o publicitário agendava encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Além disso, foram encontradas mensagens nas quais Miranda cobrava o banqueiro por pagamentos em atraso. Tais diálogos já estavam em poder da PF, pois haviam sido obtidos através da análise do celular de Vorcaro, que também fora apreendido.
Imagem: Luiz Silveira via infomoney.com.br
Fontes próximas a Thiago Miranda indicam que sua relação com Flávio Bolsonaro era antiga e consolidada. O próprio Miranda, em depoimento à PF, afirmou ter conhecido Daniel Vorcaro de forma mais recente. O contato teria sido feito por meio de um empresário de Minas Gerais durante o processo de negociação para a venda de participação no portal Léo Dias, empreendimento do qual Miranda era sócio à época. A defesa segue firme em desqualificar as alegações, reiterando que Thiago Miranda passaporte apreendido não significa culpabilidade.
Em comunicado oficial assinado pelo advogado Rafael Martins, a defesa de Thiago Miranda se manifestou publicamente para “refutar, de forma categórica, a prática de qualquer ilegalidade por seu constituinte”. A nota detalha que Miranda sempre conduziu sua vida profissional pautado pela “legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão”, negando categoricamente a prática de qualquer ato criminoso ou a participação em condutas com intuito de “intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros”.
A defesa ainda ressalta que a existência de uma investigação em andamento não pode ser utilizada como base para um julgamento antecipado de culpa, enfatizando a importância de se preservar as garantias constitucionais como o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e, acima de tudo, a presunção de inocência. Thiago Miranda se coloca à disposição das autoridades competentes para fornecer todos os esclarecimentos que forem necessários, colaborando ativamente na apuração dos fatos e demonstrando a integral regularidade de suas ações no foro adequado. Para continuar acompanhando as desdobramentos sobre este e outros casos de destaque na justiça brasileira, consulte as informações atualizadas constantemente.
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A equipe de defesa concluiu a nota informando que acompanhará “atentamente todos os atos do procedimento” e que irá adotar as medidas jurídicas cabíveis para garantir que os fatos sejam investigados “com equilíbrio, técnica e respeito às garantias legais”, procurando afastar quaisquer “conclusões precipitadas ou interpretações incompatíveis com a realidade” acerca da decisão de André Mendonça. A ordem de apreensão de passaporte de Thiago Miranda sinaliza um avanço nas investigações envolvendo o publicitário e o banqueiro Daniel Vorcaro, bem como as possíveis implicações em figuras políticas. Continue lendo nossos conteúdos para se manter informado sobre este e outros casos relevantes. Para uma análise aprofundada sobre as ramificações políticas e econômicas de investigações de alta repercussão no país, clique aqui e confira nossas últimas notícias sobre política brasileira.
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