O Partido Liberal (PL) em Santa Catarina oficializou no último sábado sua chapa “puro-sangue” destinada à reeleição do atual governador, Jorginho Mello (PL). O anúncio, que contou com a significativa presença do senador Flávio Bolsonaro, consolidou uma composição política que incluiu figuras de peso para as próximas eleições. A estratégia delineada para o estado envolveu a indicação do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), filho do ex-presidente, e da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) como candidatos ao Senado, juntamente com Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville, na posição de vice-governador.
O evento de lançamento não se limitou a apresentar os nomes da chapa; foi também palco para manifestações contundentes. Os integrantes do Partido Liberal presentes teceram severas críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao concluir sua fala, o senador Flávio Bolsonaro declarou categoricamente que o líder petista seria o responsável pelo que classificou como “roubo dos aposentados” e por uma “educação que é um lixo” no país.
PL de SC oficializa chapa com Carlos e Carol de Toni
No desenrolar de seu discurso, Flávio Bolsonaro também endereçou apelos ao eleitorado feminino, expressando seu apoio à redução da maioridade penal para 14 anos especificamente em casos de estupro. O parlamentar reiterou a defesa por cortes significativos na carga tributária e nas despesas públicas, visando a retomada do que chamou de “caminho da prosperidade”. Previsões ousadas sobre o futuro político do Brasil também marcaram sua intervenção. Ele projetou que, a partir de 2027, o atual presidente não mais ocupará o cargo e que o Partido dos Trabalhadores (PT) seria relegado à “insignificância” após “todo o ódio que esse Lula 3 está cometendo”, que ele alegou ser não apenas contra patriotas, mas um “mal” para as futuras gerações do Brasil. A visão da chapa PL Santa Catarina, portanto, é a de uma guinada política e social.
A configuração da chapa pura em Santa Catarina ocorreu após um período de meses de intensos atritos internos entre os aliados do governador Jorginho Mello. A disputa surgiu em virtude da decisão de Carlos Bolsonaro de transferir seu domicílio eleitoral para o estado e disputar uma das cadeiras do Senado. Tal determinação, que obteve o aval expresso do ex-presidente Jair Bolsonaro, reorganizou as vagas previstas inicialmente. A composição anterior incluía Caroline de Toni e o senador Esperidião Amin (PP-SC), figura aliada do governador na política catarinense. A entrada de Carlos impactou diretamente esta pré-definição, deixando Amin de fora.
Diante da iminente possibilidade de ser excluída da composição final, a deputada Caroline de Toni chegou a ameaçar sua permanência no Partido Liberal, cogitando migrar para outra legenda. No entanto, o desfecho das negociações a incluiu como uma das nomeadas para concorrer ao Senado, compondo ao lado de Carlos Bolsonaro. Ao consolidar sua presença na chapa de Carlos Bolsonaro e Carol de Toni em Santa Catarina, a deputada fez uma declaração impactante, demonstrando a força de sua aliança. Ela enfatizou a importância da união com o filho do ex-presidente: “Em Santa Catarina, quem é Carol é Carlos! Se Deus quiser, estaremos juntos nesse desafio e faremos o que tem que ser feito no Senado.”
A parlamentar foi enfática ao expor os objetivos que a movem no Senado. Caroline de Toni ressaltou a necessidade de “ter a coragem de enfrentar os abusos do Supremo Tribunal Federal, que tem censurado, perseguido e cometido a maior injustiça política de todos os tempos, que é prender o nosso eterno presidente Bolsonaro sem ter cometido crime algum”. Ao pronunciar essas palavras, ela deu as mãos a Carlos e o chamou para o centro do palco, selando simbolicamente a parceria da chapa PL Santa Catarina.
Na sequência, o ex-vereador Carlos Bolsonaro foi introduzido por um vídeo, no qual discorreu sobre sua relação com o pai – mencionado como tendo sido “preso no ano passado e agora em detenção domiciliar” – e destacou sua conexão pessoal com o estado catarinense. Em seu próprio discurso, abordando a questão familiar, a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e o arranjo estratégico para a chapa pura no estado, Carlos se emocionou profundamente, chegando a chorar em público, evidenciando a intensidade do momento político e pessoal.
O candidato ao Senado agradeceu expressamente à deputada Caroline de Toni, chamando-a de “minha amiga de coração”. Ele pontuou os desafios superados na formação da chapa Carlos Bolsonaro e Carol de Toni em SC. “Só a gente sabe o que passou para fazermos essa chapa pura. Fomos desacreditados em alguns momentos e rompemos de diversas maneiras, mas isso já é passado”, disse o ex-vereador, consolidando a união para a disputa eleitoral. Para um panorama sobre os debates atuais no parlamento brasileiro, veja este material do Estadão.
Imagem: infomoney.com.br
Carlos Bolsonaro, ao expor suas propostas como futuro senador, indicou que, se eleito, pretende atuar como uma peça fundamental no “xadrez” político para reequilibrar os poderes no Brasil. Seu objetivo seria “trazer de volta o que sobrou da democracia nesse país”, com ênfase na atuação contra a tortura e em defesa da liberdade de expressão. No entanto, os discursos mais diretos e incisivos contra o STF e os pedidos de impeachment de ministros foram articulados por Adriano Silva, escolhido como o postulante a vice-governador na chapa Jorginho Mello PL Santa Catarina.
O pré-candidato à reeleição, governador Jorginho Mello, também respondeu a questionamentos e críticas levantadas por adversários referentes ao aumento da letalidade em confrontos envolvendo policiais e criminosos em Santa Catarina. De forma contundente, o governador afirmou que, em sua gestão, “esses números vão continuar aumentando”. O momento solene contou ainda com uma homenagem a Flávio Bolsonaro, a quem Jorginho presenteou com um passaporte simbólico catarinense, e uma reverência ao ex-presidente, marcando o compromisso com o legado da família.
Dirigindo-se a Flávio Bolsonaro, o governador expressou: “Bolsonaro está sofrendo e está doente em favor do Brasil. Obrigado! Diga para ele, Flávio, que nós estamos aqui para continuar o legado dele. E vocês, da família, têm um grande compromisso de honrar o nome do seu pai. Eu fiquei muito feliz quando você falou com os empresários ontem. Eu observava o cochilo e a alegria deles ao dizer que você é o Bolsonaro 2.0”. Essa afirmação solidificou a importância da família no projeto político da chapa Jorginho Mello PL.
Durante o mesmo evento do PL em Santa Catarina, foi apresentada outra figura da família Bolsonaro: Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), atual vereador por Balneário Camboriú, também filho do ex-presidente, que foi anunciado como pré-candidato à Câmara dos Deputados. A ocasião foi complementada com a introdução de um novo jingle de campanha para Flávio Bolsonaro, cujo refrão marcante entoava os versos “vamos entrar com o pé direito porque o Brasil tem futuro”. Além disso, foram reproduzidos áudios do ex-presidente, e os lemas “Deus, pátria, família e liberdade” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” foram repetidamente entoados, reforçando a ideologia da legenda.
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A oficialização da chapa PL Santa Catarina para as próximas eleições marca um momento crucial na política local e nacional, reafirmando alianças e posicionamentos ideológicos firmes. Os discursos proferidos sinalizam um embate acalorado, com forte direcionamento a temas centrais para o eleitorado conservador. Fique por dentro de outras análises e desenvolvimentos políticos acessando nossa editoria de Política e acompanhe as repercussões destas decisões no cenário brasileiro.