Efeito Bukele na Colômbia: Direita aposta em linha-dura contra crime

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O cenário político da Colômbia tem presenciado um notável fortalecimento de discursos e propostas centradas no endurecimento contra o crime, reverberando o que analistas designam como o efeito Bukele na Colômbia. Esta tendência reflete uma pauta que, outrora confinada aos programas de governo, emerge agora como uma das principais plataformas eleitorais em diversos países da América Latina.

Na nação colombiana, onde a escalada da violência tem retornado ao cerne do debate público e presidencial, esse fenômeno ganha contornos específicos com a ascensão de Abelardo de la Espriella. Advogado criminalista de destaque, De la Espriella disputa a Presidência sob a alcunha de “El Tigre”, prometendo uma política de tolerância zero e um enfrentamento rigoroso a guerrilhas, organizações narcotraficantes e grupos armados que atuam no país.

A estratégia de campanha do candidato Abelardo de la Espriella encontra inspiração em figuras conservadoras que alcançaram projeção internacional justamente por sua defesa intransigente de políticas anti-crime, como o presidente salvadorenho Nayib Bukele, o argentino Javier Milei e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. A adesão a este modelo na Colômbia sublinha uma reorientação da política regional.

Efeito Bukele na Colômbia: Direita aposta em linha-dura contra crime

A Ascensão de Candidaturas Antiviolência

A popularidade crescente de candidatos com este perfil não se restringe apenas à Colômbia, configurando, na visão do cientista político Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, uma tendência abrangente por toda a América Latina. “O Nayib Bukele talvez seja hoje o grande xamã da direita latino-americana”, observou Soller durante participação no programa Mapa de Risco Internacional, do InfoMoney. Ele destaca que o êxito alcançado por Bukele em El Salvador após sua intensa ofensiva contra as gangues, impulsionou sua estratégia para o posto de referência e modelo para políticos conservadores em toda a região, a exemplo do próprio Abelardo de la Espriella na corrida eleitoral colombiana.

Essa abordagem conservadora tem reestruturado o cenário político. Soller explica que o tema da segurança pública tem sido crucial para realinhar o eleitorado de direita. Anteriormente, as pautas principais desta vertente política giravam em torno do combate ao comunismo e à esquerda; hoje, a bandeira mais proeminente e mobilizadora é a da segurança pública e o combate implacável ao crime organizado. Esta promessa de restaurar a ordem ganha força em países severamente impactados pelo avanço de facções criminosas, narcotráfico e altos índices de violência urbana, ecoando, inclusive, no debate político brasileiro.

Adicionalmente ao conteúdo do discurso, essa “nova direita” latino-americana também partilha estratégias de comunicação singulares. Lideranças como Milei, Trump e Bukele, conforme análise de Soller, conseguiram transformar a política em um “produto” com alta conexão com a cultura digital e o universo do entretenimento. Esta característica se manifesta claramente no perfil de Abelardo de la Espriella. Fugindo do tradicional modelo de político colombiano, o criminalista já possuía notório reconhecimento público antes de ingressar na política formal, e surpreende por sua trajetória inusitada: além de advogado, ele também atua profissionalmente como tenor, evidenciando seu perfil “showman” capaz de mobilizar e aproximar um público jovem.

A conjugação de uso estratégico de redes sociais, uma linguagem mais direta e por vezes agressiva, a personalização acentuada das disputas e um forte apelo emocional são fatores que têm contribuído para cativar um eleitorado mais jovem, garantindo o apelo de candidaturas como a de De la Espriella.

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Imagem: infomoney.com.br

Cenário Político Colombiano e a Virada da Direita

A disputa eleitoral na Colômbia desenrola-se em um período crítico, marcado pelo recrudescimento da violência urbana, pela intensificação das atividades de dissidências das Farc e por uma sequência preocupante de atentados. Essa complexa conjuntura colocou o debate sobre segurança pública em uma posição central na agenda presidencial. Segundo a avaliação de Soller, o deterioramento do cenário de segurança foi um catalisador para a reorganização do campo conservador, o que fortaleceu e legitimou candidaturas que propõem respostas mais rigorosas ao crime organizado.

A força adquirida por candidaturas de linha-dura também espelha um certo desgaste no governo de Gustavo Petro. Eleito em 2022 como o primeiro presidente de esquerda na história colombiana, Petro assumiu o cargo com a promessa de reduzir a violência através de sua ambiciosa “política de paz total”, um plano baseado na negociação com diversos grupos armados. Contudo, a persistência de conflitos, a retomada de ataques violentos e o fortalecimento de facções guerrilheiras dissidentes abriram flancos para as críticas da oposição, reforçando a narrativa de que o país necessita reavaliar sua abordagem e adotar uma estratégia de enfrentamento mais assertiva.

Neste ambiente de incertezas e crescentes preocupações com a ordem, candidatos alinhados à chamada “direita de segurança pública” têm logrado ocupar o centro do embate eleitoral. Soller adverte que os acontecimentos na Colômbia podem ser um prenúncio de debates que ganharão maior vulto em outras eleições na região, estendendo-se, inclusive, para o Brasil. “Enquanto ficar se prometendo discussão só e não resolução, o tema segurança pública vai estar em alta nessa eleição”, ressaltou o cientista político.

Portanto, a disputa eleitoral colombiana não é apenas um barômetro para medir a força entre a esquerda e a direita no país. Ela pode servir como um importante indicador do quão eficaz a “fórmula” política que impulsionou Nayib Bukele ao poder em El Salvador continuará a ser, definindo uma das mais influentes e duradouras estratégias políticas em toda a América Latina.

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Crédito: Reprodução

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