A controversa transação de um terreno pertencente à família de Ciro Nogueira, senador pelo Progressistas do Piauí, segue gerando desdobramentos. Em entrevista concedida a uma emissora local no estado, na quinta-feira (21), Ciro Nogueira alegou que o imóvel rural, negociado pela Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA com uma distribuidora de combustíveis, ainda não teve sua propriedade transferida formalmente. O senador justificou que a empresa compradora não efetuou o pagamento integral da aquisição, condição essencial para a finalização do processo.
A declaração de Ciro Nogueira entra em conflito direto com as informações coletadas e apresentadas pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, ela diverge do próprio contrato de compra e venda assinado pelo irmão do parlamentar. A PF aponta que a empresa Athena Real Estate LTDA, adquirente do terreno, integra o conglomerado da Refit, um grupo empresarial investigado por irregularidades financeiras.
Ciro Nogueira nega transferência de terreno vendido a grupo Refit
O epicentro dessa discussão reside na investigação que culminou na Operação Sem Refino, desencadeada na semana anterior e cujo foco principal era o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Segundo os registros policiais que subsidiaram a operação, o terreno, uma área de 40 hectares localizada em Teresina (PI), foi objeto de um contrato assinado em agosto de 2024. Este documento estabeleceu a venda da propriedade pela Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA para a Athena Real Estate LTDA pelo montante de R$ 14,2 milhões. As investigações sugerem que o valor integral já teria sido quitado, diferentemente do que sustenta o senador.
Ao ser questionada, a assessoria do senador Ciro Nogueira detalhou o plano de pagamentos previsto no contrato. O acordo estabeleceria três parcelas iniciais de R$ 2,5 milhões cada, seguidas por 21 parcelas mensais no valor de R$ 300 mil, a partir de fevereiro de 2025. Conforme o cronograma de pagamentos estabelecido, o prazo para a quitação total do negócio ainda não teria se encerrado, motivo pelo qual, segundo a defesa do senador, a transação não foi finalizada e, por consequência, a titularidade da terra não foi transferida.
Contudo, a assessoria não apresentou uma resposta satisfatória quando confrontada com a divergência entre a versão do senador e os levantamentos da Polícia Federal, que apontam o pagamento integral dos R$ 14,2 milhões à empresa da família Nogueira. Esta falta de explicação alimenta as dúvidas sobre a clareza da operação, especialmente à luz das descobertas da PF. Conforme revelado previamente pelo Estadão, as autoridades policiais identificaram a realização do pagamento integral à empresa que, apesar de levar o sobrenome do senador, figura formalmente no nome de seus familiares.
Em nova entrevista à TV Clube, no Piauí, Ciro Nogueira reforçou que não é acionista da Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA, reiterando, no entanto, a licitude do contrato de venda. “Isso é uma empresa que todos no Piauí sabem que é uma das maiores empresas do estado do Piauí, tem 50 anos de mercado, pertence à minha mãe. E foi procurada, foi vender o imóvel. A própria empresa não pagou até o final, por isso não foi transferido até agora. Uma transação comercial mais do que lícita. Vocês vão ver que não tem nenhuma ilegalidade”, defendeu o senador.
Uma análise detalhada do contrato revela uma discrepância nos valores. Enquanto o acordo estipula um preço total de R$ 14,2 milhões, o detalhamento do pagamento — três parcelas de R$ 2,5 milhões a partir de novembro de 2024, mais 21 prestações de R$ 300 mil — soma R$ 13,8 milhões, uma diferença de R$ 400 mil em relação ao valor total anunciado. A Athena Real Estate LTDA foi identificada pela PF como a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, este último com fortes conexões ao grupo Refit, liderado pelo empresário Ricardo Magro, personagem central da Operação Sem Refino.
Apuradas pela Polícia Federal, as operações do grupo Refit e de Ricardo Magro sugerem um sofisticado esquema de blindagem patrimonial. Embora o fundo EUV Gladiator pertença formalmente à empresa Eurovest, as investigações da PF indicam que ele é, na realidade, uma estrutura elaborada por Ricardo Magro com o propósito de proteger bens e ocultar patrimônio. A Athena, empresa que efetuou a compra do terreno da família do senador Nogueira, é considerada um braço operacional do grupo de Magro, com foco na aquisição de imóveis para este fim. Para aprofundar a compreensão sobre grandes investigações no cenário político e econômico do país, diversas fontes confiáveis trazem detalhamentos diários, como as atualizações da editoria de Política de portais de notícia.
Imagem: infomoney.com.br
O grupo Refit, anteriormente conhecido como Refinaria Manguinhos, atua no setor de combustíveis e está sob suspeita de envolvimento em práticas de corrupção e sonegação fiscal em larga escala. A Receita Federal o identifica como uma das maiores organizações devedoras contumazes de impostos no Brasil, com um débito que ultrapassa a impressionante marca de R$ 26 bilhões. O pagamento à empresa ligada à família de Ciro Nogueira é um dos aspectos que serão aprofundados nas investigações em curso.
É importante ressaltar que um ex-assessor do senador Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão. No entanto, o próprio senador não figurou como alvo da Operação Sem Refino. Contudo, no início do mesmo mês, o parlamentar sofreu busca e apreensão determinada no âmbito da Operação Compliance Zero, uma investigação que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master, revelando a proximidade de Ciro Nogueira a outras grandes apurações no cenário nacional.
Na quarta-feira anterior à entrevista que deu origem à controvérsia, Ciro Nogueira já havia divulgado uma nota à imprensa, na qual apresentava a compra e venda do terreno como uma transação concretizada. No comunicado, ele alegava: “Esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado”, reforçando a sua versão de que a operação ocorreu dentro da legalidade e da transparência.
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A disputa de narrativas sobre a venda do terreno da família do senador Ciro Nogueira evidencia as tensões entre as declarações políticas e as investigações das autoridades. A Polícia Federal e o STF continuam apurando as inconsistências nos relatos, mantendo sob escrutínio as conexões entre os envolvidos e os fluxos financeiros da transação. Para ficar sempre atualizado sobre as investigações políticas e econômicas no Brasil, explore a nossa editoria de Política em rarosolutions.com e não perca os próximos desdobramentos.
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