Cenário Econômico: Ibovespa Cai, Dólar Sobe e Tensão Global

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O Cenário Econômico Brasileiro abriu esta segunda-feira (13) com um clima de volatilidade, marcado pela queda do Ibovespa futuro, pela valorização do dólar comercial e pelo avanço dos juros futuros. A movimentação foi intensificada por um cenário global de escalada nas tensões no Oriente Médio e por dados econômicos importantes, especialmente da China, somados a questões políticas internas.

Pela manhã, o Ibovespa futuro registrou queda de 0,30%, cotado a 180.000 pontos, e o minicíndice, com vencimento em agosto de 2026 (WINQ26), iniciou o dia com uma baixa ainda mais acentuada de 50%, atingindo 179.600 pontos. O índice à vista da B3 (Bolsa de Valores do Brasil) abriu com leve baixa de 0,05%, em 177.697,07 pontos. Paralelamente, o dólar comercial registrava alta, com abertura em 0,16%, cotado a R$ 5,116 na compra e R$ 5,118 na venda, refletindo a cautela dos investidores. Os juros futuros (DIs) também apresentaram avanços em toda a curva, com destaques para o DI1F29 (14,070%, alta de 0,644 pp) e DI1F31 (14,260%, alta de 0,671 pp).

Cenário Econômico: Ibovespa Cai, Dólar Sobe e Tensão Global

A tensão global em torno do Estreito de Ormuz dominou as discussões internacionais e influenciou os mercados financeiros. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que seu país controlará o Estreito e será remunerado por essa proteção, criticando o Irã por violações de acordos e ataques a navios. Em contrapartida, o porta-voz de Teerã alertou que o país agirá sob o princípio de reciprocidade e que embarcações utilizando rotas paralelas sugeridas por Washington em Ormuz correm riscos, considerando um memorando iraniano em fase de crise. Na última onda de ataques, os EUA anunciaram ter atingido dezenas de alvos iranianos para reduzir a capacidade do país de atacar embarcações. Em um reflexo direto dessa escalada, Kuwait e Jordânia acionaram suas defesas aéreas, com a Jordânia interceptando mísseis lançados pelo Irã, que teve instalações e radares americanos no Bahrein e em Omã como alvo. A chefe de governo da Estônia, Kaja Kallas, defendeu a livre navegação na região, sem pedágios, adiantando que ministros do bloco europeu discutirão o Oriente Médio e novas sanções contra a Rússia.

As bolsas globais reagiram de forma mista a essa instabilidade. As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em queda, com os índices chineses atingindo mínimas de três meses, impactadas pela realização de lucros. As ações coreanas, como a da SK Hynix, registraram fortes quedas após sua estreia na Nasdaq, impulsionando a paralisação das negociações no Kospi. As bolsas europeias, por sua vez, operaram em território misto, aguardando os desenvolvimentos do conflito, enquanto os índices futuros de Nova York recuaram devido à pressão sobre os preços do petróleo.

Em consonância com as tensões, os preços do petróleo registraram fortes altas, com o barril de Brent subindo 3,34% (a US$ 78,56) e o WTI com 3,49% de valorização (a US$ 73,90). A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ajustou suas previsões de demanda global: a entidade reduziu em 200 mil barris por dia (bpd) a expectativa de crescimento para 2026, totalizando 105,94 milhões de bpd, mas elevou a projeção para 2027 em 200 mil bpd, para 1,9 milhão de bpd, o que levaria o consumo global a 107,88 milhões de bpd. Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global, a Opep manteve suas estimativas inalteradas, prevendo avanço de 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027. O relatório também preservou as projeções de PIB para EUA (2,2% em 2026, 2,0% em 2027), Zona do Euro (1,0% em 2026, 1,2% em 2027) e China (4,6% em 2026, 4,5% em 2027), como detalhado em seu relatório mensal. Para mais detalhes sobre as análises da organização, consulte diretamente o relatório da OPEP.

No cenário econômico da China, as expectativas são de desaceleração do PIB no segundo trimestre de 2025, para 4,5%, em contraste com os 5,0% do primeiro trimestre, alimentando prognósticos de novas medidas de estímulo. A economia chinesa enfrenta um desequilíbrio entre uma forte produção industrial, impulsionada por exportações de IA, e um enfraquecimento do consumo e investimento privado. Diante desse cenário, Pequim revelou um plano quinquenal que visa impulsionar o consumo, com a meta de atingir cerca de 60 trilhões de iuanes (aproximadamente US$ 8,85 trilhões) em vendas no varejo até 2030, além de fortalecer a renda familiar e o consumo digital e turístico. Em contrapartida aos planos de desenvolvimento, as províncias de Hebei e Liaoning, no norte da China, foram severamente afetadas por inundações que submerseram estradas e arrastaram veículos, evidenciando desafios ambientais impactantes. No plano legislativo internacional, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou medidas para restringir o uso de redes sociais por crianças e adolescentes em toda a União Europeia, propondo uma abordagem gradual com limites de idade e supervisão.

Internamente no Brasil, o Boletim Focus trouxe revisões importantes para as projeções econômicas. O relatório semanal do Banco Central reduziu a projeção de inflação (IPCA) para 2026, de 5,30% para 5,16%, mas elevou para 2027, de 4,18% para 4,20%. As projeções para 2028 (3,70%) e 2029 (3,50%) permaneceram inalteradas. Para o Produto Interno Bruto (PIB), houve queda na projeção para 2027 (de 1,69% para 1,65%), enquanto as estimativas para 2026 (1,99%), 2028 (2,00%) e 2029 (2,00%) se mantiveram. A taxa Selic foi mantida em 14% para 2026, 12% para 2027, 10,50% para 2028 e 10% para 2029. Em relação ao câmbio, a projeção para o dólar foi ajustada para 2028, caindo de R$ 5,35 para R$ 5,34, com as demais previsões estáveis. No campo político, um estudo da Transparência Brasil apontou que a Câmara dos Deputados indicou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão para 2025 sem transparência sobre o autor real, em um modelo similar ao “orçamento secreto”. Partidos como PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade fizeram indicações. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido que dominou a Comissão de Saúde e destinou boa parte dessas emendas, foi mencionado em relação a bloqueio de bens em um esquema suspeito de desvio de R$ 119 milhões em emendas. Adicionalmente, o presidente da Câmara, Elmar Nascimento (União Brasil), se queixou de ações de Lula que beneficiam um adversário de seu pai ao Senado. Ainda no cenário político, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reorganiza sua atuação para manter influência entre o público feminino e evangélicos.

Uma pesquisa BTG/Nexus mostrou que a disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue em empate técnico em um possível segundo turno, com o petista numericamente à frente. No primeiro turno, Lula aparece com 40% (ante 42% em junho) e Flávio Bolsonaro com 34%, mantendo a liderança numérica para o presidente. Outros candidatos não ultrapassaram a marca de 5% de preferência. As projeções para julho da CME/FedWatch indicam uma probabilidade de 66% de manutenção dos juros nos EUA.

No setor corporativo, o Itaú Unibanco anunciou o exercício da opção de recompra da totalidade de Letras Financeiras perpétuas no valor de R$ 1,4 bilhão, emitidas em janeiro de 2019, o que terá impacto de 0,1 ponto percentual no índice de capitalização Nível 1. O Santander (SANB11) aprovou proventos no valor de R$ 2 bilhões. A Fleury (FLRY3) prestou esclarecimentos afirmando que sua alavancagem projetada reflete nível já divulgado ao mercado. No setor imobiliário, a Mitre (MTRE3) registrou queda de 31,9% nas vendas líquidas no segundo trimestre, com a velocidade de vendas (VSO) em 9,2%, enquanto a Suno passou a deter 4,60% do capital social da Gafisa.

O mercado global e nacional segue sob a influência de uma complexa rede de eventos, desde conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que impulsionam os preços do petróleo, até revisões nas projeções macroeconômicas internas e desafios específicos de cada setor. Manter-se atualizado sobre as variáveis macroeconômicas e os cenários de volatilidade é crucial para compreender as tendências financeiras. Para mais informações sobre economia e mercados, explore nossa editoria de Economia e aprofunde seus conhecimentos. Fique de olho em nossas atualizações diárias.

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