O Grupo Simpar (SIMH3), conglomerado que agrega operações de empresas como JSL (JSLG3), Movida (MOVI3) e Vamos (VAMO3), anunciou a reversão de seu resultado no segundo trimestre de 2026 (2T26). A companhia registrou um lucro líquido ajustado das operações continuadas de R$ 52 milhões. Este valor contrasta significativamente com o prejuízo ajustado de R$ 42 milhões apurado no mesmo período do ano anterior (2T25), marcando uma virada positiva em seu balanço financeiro.
Este período é duplamente significativo para a Simpar, pois comemora os 70 anos de sua fundação. A divulgação dos resultados revelou também que a empresa atingiu o menor índice de alavancagem financeira desde sua oferta pública inicial (IPO) realizada em 2010, reforçando a melhoria da sua estrutura de capital e a eficiência operacional alcançada nos últimos trimestres. Denys Ferrez, CFO da Simpar, expressou satisfação ao InfoMoney, destacando que a empresa está concretizando o que havia sido prometido, incluindo a monetização de ativos.
Simpar (SIMH3) reverte prejuízo e atinge lucro de R$ 52 mi no 2T26
A receita bruta consolidada do Grupo Simpar no segundo trimestre de 2026 alcançou R$ 12,4 bilhões, o que representa um aumento de 10% em relação ao 2T25. O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA) ajustado também demonstrou um crescimento robusto de 16%, atingindo R$ 3,4 bilhões. A margem EBITDA, por sua vez, fixou-se em 30,1% sobre a receita líquida de serviços. Para o grupo, a receita de serviços é a métrica prioritária, e esta avançou 14% na comparação anual, somando R$ 9,5 bilhões no trimestre.
Do ponto de vista contábil, sem os ajustes específicos, o lucro líquido atribuído aos controladores ainda registrou um montante negativo de R$ 189,5 milhões. Este resultado, embora negativo, representa uma reversão de uma perda ainda maior registrada no primeiro trimestre de 2026. Após a dedução dos efeitos de marcação a mercado de derivativos vinculados a uma operação de aumento de capital (que não tiveram impacto em caixa), o lucro líquido consolidado das operações continuadas foi de R$ 26,5 milhões neste trimestre. O Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC) produtivo, excluindo o segmento BBC, chegou a 14,0% nos últimos doze meses, superando o custo de capital de terceiros em 1,9 ponto percentual.
A relação Dívida Líquida/EBITDA, um indicador crucial da saúde financeira, melhorou significativamente, caindo para 2,8x, em comparação com 3,6x no segundo trimestre de 2025. Este patamar é o mais baixo desde a abertura de capital da empresa em 2010. A diminuição da alavancagem reflete a sinergia entre a otimização operacional, a maior eficiência no uso dos ativos do grupo e um substancial incremento de R$ 6,9 bilhões na estrutura de capital ao longo dos últimos 12 meses, resultante da monetização de ativos e novos aportes de capital.
O diretor financeiro, Denys Ferrez, contudo, apontou para a dinâmica da dívida líquida consolidada do grupo. Segundo Ferrez, a composição inclui a somatória das dívidas de todas as empresas do conglomerado. Ele argumentou que a governança individual de cada companhia permite uma gestão de dívida separada, e a simples somatória dos valores para divulgação poderia superestimar o risco. Na sua visão, a holding deveria funcionar como um “colchão adicional” de suporte, e não como um fator de risco agregado ao ser consolidado.
Na estrutura da holding propriamente dita, a dívida líquida teve uma redução de 53% em base anual, chegando a R$ 1,4 bilhão. A Simpar mantém um robusto caixa de R$ 4,6 bilhões, o que assegura a cobertura de vencimentos até meados de 2031. “Estamos no rumo certo, cumprindo aquilo que prometemos às várias partes que se relacionam conosco”, declarou o executivo. Em um cenário desafiador para muitas empresas, a Simpar se propôs a efetuar a recompra de parte de sua dívida bruta. Apesar de um calendário que enfrentou obstáculos operacionais e períodos de vedação de transações por balanços, a recompra já abrangeu 35% do R$ 1 bilhão da dívida bruta da companhia.
Entre os eventos de destaque no trimestre, a SIMPAR ressaltou os aumentos de capital privado na própria SIMPAR, na Movida e na Vamos, que somaram R$ 3,0 bilhões e foram finalizados em maio. Essas operações contaram com a ancoragem da JSP Holding e do BNDESPar. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) frequentemente participa de operações de capital em grandes grupos, e o BNDESPar também exerceu uma opção de compra, adquirindo 5% de participação na JSL. Para mais informações sobre as operações e projetos financiados, visite o site oficial do BNDES.
Ferrez reiterou a confiança no futuro: “Quando eu olho os ativos e os resultados que a gente está entregando, é só ter calma e serenidade para esperar um cenário mais tranquilo para os ativos refletirem isso.” Ele expressou otimismo quanto à economia brasileira, acreditando que o país “fará o dever de casa mais cedo ou mais tarde”, mesmo que não seja necessariamente no lado fiscal. A manutenção da taxa de juros já seria um cenário positivo. O CFO também mencionou a venda da CS Porto Aratu, anunciada em julho, por um Enterprise Value de R$ 1,8 bilhão, com um Múltiplo sobre o Capital Investido (MOIC) de 5,8x em 3,6 anos. Contudo, essa transação ainda não foi incorporada ao balanço do trimestre analisado.
O trimestre também foi marcado por novas captações de R$ 2,7 bilhões, com custo médio de CDI + 2,5% e prazo médio de 6,3 anos. Além disso, foram captados mais R$ 2,0 bilhões em julho e agosto sob condições ainda mais favoráveis, com custo de CDI + 1,7%.
Imagem: infomoney.com.br
Desempenho das Unidades de Negócio
No que tange às suas controladas, a JSL registrou receita bruta de serviços de R$ 2,9 bilhões, representando um crescimento anual de 6,3%. O fluxo de caixa operacional, após investimentos em crescimento, foi de R$ 164 milhões no trimestre e R$ 861 milhões nos últimos 12 meses. A alavancagem da JSL recuou para 2,7x. O CFO citou que o maior churn (rotatividade) de contratos foi uma decisão seletiva e necessária em casos de desequilíbrio, sendo o volume de novos contratos equivalente ao perdido.
A Movida atingiu um EBITDA recorde de R$ 1,7 bilhão, com aumento de 22,3% na comparação anual, e um lucro líquido de R$ 135,6 milhões, crescimento de 100,7% e acima das projeções da companhia. A projeção de lucro líquido da Movida para o terceiro trimestre de 2026 situa-se entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões. A empresa focou em maximizar a satisfação do cliente, o que, segundo Ferrez, gerou resultados positivos, e o ajuste em relação ao cenário macroeconômico ocorreu de forma rápida.
A Vamos reportou lucro líquido de R$ 101,0 milhões, um avanço de 21,8% em base anual. A taxa de ocupação da frota permaneceu elevada, em 89%, e a companhia observou uma significativa redução de 48,2% nas retomadas de ativos. A Vamos reafirmou sua projeção de EBITDA para 2026 entre R$ 3,75 bilhões e R$ 4,0 bilhões. O executivo destacou a chegada do novo CEO, Christian Hahn, e a inflexão positiva da empresa desde o ano passado, que tem injetado mais energia na execução do planejamento estratégico.
No segmento Automob, as vendas de veículos leves novos apresentaram um crescimento de 14,3% na comparação anual. No setor de Caminhões e Ônibus, houve uma alta de 17,6%, mesmo em um mercado que recuou 2,7%. O CAPEX da companhia diminuiu 77% em relação ao ano anterior. Ferrez indicou que a empresa de concessionárias ainda está em um ciclo de aprendizagem, com expectativas de atingir suas metas a partir do próximo ano.
A CS Infra demonstrou um crescimento exponencial, com a receita líquida de serviços saltando 222,6% anualmente, atingindo R$ 86,7 milhões. O EBITDA da unidade também cresceu impressionantes 528,9%, chegando a R$ 47,8 milhões, impulsionado principalmente pela maturação de concessões rodoviárias.
Por fim, a BBC Digital apresentou um aumento de 28% na carteira de crédito em base anual, alcançando R$ 2,7 bilhões. A taxa de inadimplência da unidade ficou 1,0 ponto percentual abaixo da média de mercado, evidenciando uma gestão de risco eficiente.
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Em suma, os resultados da Simpar no segundo trimestre de 2026 mostram uma notável recuperação, revertendo prejuízos e fortalecendo sua estrutura financeira e operacional, refletindo a eficácia das estratégias adotadas e o desempenho de suas subsidiárias. Para continuar acompanhando as análises mais aprofundadas sobre o setor de finanças e economia, mantenha-se conectado às nossas notícias econômicas em Raro Solutions.
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