O Retorno do Escritório e Seu Novo Papel nas Empresas emerge como um tema central no cenário corporativo, seis anos após a chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, no início de 2020. Grandes corporações globais como Amazon, JPMorgan Chase, Dell, Uber e Starbucks, ao lado de gigantes brasileiras como Nubank e Bradesco, estão reduzindo ou eliminando o regime totalmente remoto. Esse movimento sinaliza uma readaptação para o trabalho presencial, embora com uma finalidade distinta daquela observada antes da crise sanitária.
A transição marca uma nova fase para o ambiente de trabalho. Muitas empresas que inicialmente adotaram o trabalho remoto em massa agora incentivam o regresso aos espaços físicos, compreendendo que o contato direto entre equipes se mostra indispensável para múltiplos aspectos do desenvolvimento organizacional. Este reposicionamento redefine a função do escritório de um local meramente operacional para um centro de colaboração estratégica.
O Retorno do Escritório e Seu Novo Papel nas Empresas
Líderes de mercado, CEOs e executivos, questionados pelo InfoMoney sobre os formatos de trabalho predominantes no país, majoritariamente defendem o modelo híbrido. Este formato mescla jornadas presenciais no escritório com períodos de atividades realizadas remotamente. Eles enfatizam que a interação face a face é crucial para a solidificação da cultura organizacional, o processo de formação de novos talentos e o fomento da inovação, impulsionando a renovação do propósito dos escritórios dentro das estruturas corporativas.
Modelo Híbrido se Consolida como Padrão
A Aon, uma empresa global de consultoria que emprega mais de 60 mil pessoas, adota hoje uma abordagem de trabalho tripartida, dividindo seus colaboradores entre formatos presencial, híbrido e remoto, conforme a natureza da função. Adriana Zanni, vice-presidente de Recursos Humanos para a América Latina da Aon, projeta a consolidação do modelo híbrido como o novo padrão empresarial. A executiva afirma que, enquanto o trabalho totalmente remoto pode ser eficaz para certas posições, ele não consegue suprir todas as demandas corporativas.
“Nossa prioridade ainda é o modelo híbrido”, declara Zanni. Ela acrescenta que o presencial integral deixou de ser um diferencial e que a opção totalmente virtual é adequada para algumas posições, mas não para todas. Adriana Zanni ainda sublinha a importância de encontros presenciais para estreitar laços e reforçar a cultura corporativa, destacando três pilares essenciais: o cliente, o “coaching” (mentoria e desenvolvimento) e a celebração de conquistas, ressaltando que a convivência colabora para o crescimento profissional, atendimento de clientes e reconhecimento de resultados. Para aprofundar a compreensão sobre o futuro dos ambientes de trabalho, diversas análises apontam a adaptabilidade como chave, conforme detalhado em publicações renomadas sobre as tendências do mercado, como o artigo “Is Hybrid Work the Best Solution for Employee Productivity?” da Forbes, que explora os benefícios do modelo híbrido na produtividade.
Fortalecimento da Convivência Presencial
Contrariando a tendência da flexibilidade máxima, algumas companhias adotam uma postura mais veemente em relação ao retorno aos escritórios. Este é o caso da TCS Brasil, subsidiária da multinacional indiana Tata Consultancy Services, especialista em tecnologia e consultoria. Segundo Renato Sposito, diretor de Recursos Humanos da TCS Brasil, a empresa retomou o trabalho 100% presencial em seu principal centro de operações no país no início de 2023.
“A formação de pessoas acontece quando gente está com gente”, argumenta Sposito, salientando que a aceleração do conhecimento é fruto da convivência com diferentes pessoas e culturas. O executivo relata uma diminuição na rotatividade de funcionários após a implementação do regime presencial, notando que a pandemia “deixou uma lacuna de crescimento social para muitos jovens profissionais”, e que a convivência estimula um maior senso de pertencimento. Profissionais entrevistados pelo InfoMoney também reforçaram a ideia de que o contato presencial assume um peso maior em carreiras que demandam desenvolvimento acelerado, particularmente entre os mais jovens, onde a interação diária com líderes e colegas propicia o aprendizado informal e a troca de saberes.
A Ford, por exemplo, integrou encontros presenciais em seus programas para novos funcionários, visando acelerar a adaptação às equipes e à cultura organizacional. Pesquisas internas da companhia indicam que a satisfação nos primeiros meses de trabalho ultrapassa 90%, reiterando a importância da interação direta entre os colaboradores.
Flexibilidade: Atrativo e Desafio
Por outro lado, algumas organizações transformaram a flexibilidade alcançada com o trabalho remoto, durante a pandemia, em um valioso instrumento para atrair e reter talentos. Eric Lundgren, CEO da Generali Brasil, seguradora italiana com mais de um século de atuação no país, explica que a companhia adotou um modelo híbrido com uma exigência mínima de presença no escritório.
“Pedimos pelo menos dois dias por semana no escritório, mas mantemos flexibilidade”, enfatiza Lundgren, indicando que a medida é altamente valorizada pelos colaboradores, conforme demonstrado em pesquisas de engajamento. Apesar disso, o executivo reconhece que o contato presencial permanece insubstituível para certas atividades, asseverando que “tem coisas que só se resolvem em um café ou em uma conversa no corredor.”
A adaptação ao modelo híbrido levou as empresas a desenvolverem mecanismos robustos de monitoramento da experiência dos colaboradores. Na Totvs, por exemplo, são realizadas pesquisas periódicas de clima, e indicadores como eNPS (Employee Net Promoter Score) e taxas de rotatividade são ferramentas para avaliar o engajamento das equipes e guiar eventuais ajustes no modelo de trabalho.
Imagem: Pexels via infomoney.com.br
A necessidade de manter uma conexão estreita entre líderes e equipes também é um ponto de destaque para Izabel Azevedo, diretora de Talento e Cultura da Nestlé Brasil, uma multinacional de alimentos com cerca de 22 mil funcionários no país. Segundo Izabel, diferentes setores da Nestlé operam com modelos distintos: desde as funções industriais, completamente presenciais, até as administrativas, que adotam o formato híbrido. A executiva defende que a qualidade da interação entre gestores e equipes é mais relevante do que o modelo de trabalho em si. “O que realmente importa é a conexão entre líder e liderado, seja presencial, híbrido ou remoto”, ela afirma. A Nestlé busca integrar encontros presenciais com o uso estratégico de ferramentas digitais para fortalecer a proximidade entre os profissionais.
Escritório: Um Espaço de Colaboração e Inovação
Com a reconfiguração das práticas de trabalho, o propósito do escritório está sendo amplamente redesenhado. Longe de ser um local dedicado primariamente a tarefas individuais e rotineiras, muitas empresas agora destinam os dias de presença física a atividades colaborativas, reuniões estratégicas, treinamentos e a interação espontânea entre equipes. As atividades que exigem maior concentração, por sua vez, tendem a ser realizadas no ambiente remoto.
Em certas organizações, a estrutura dos encontros presenciais é projetada especificamente para fomentar essa interação. O Meliá Hotels International, por exemplo, organiza fóruns de diálogo periódicos entre equipes e gestores. Esses encontros são oportunidades para discutir resultados, trocar experiências e intensificar o senso de pertencimento entre os profissionais.
Equilíbrio entre Produtividade e Bem-Estar
Executivos entrevistados pelo InfoMoney enfatizam que o equilíbrio entre produtividade e bem-estar do colaborador é um fator crucial na definição do modelo de trabalho. Muitos ressaltam que a redução do tempo de deslocamento diário tem impactos positivos na saúde mental, contribui para um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, e eleva os níveis de engajamento dos funcionários.
Monique Stony, diretora de Recursos Humanos, Talentos, Cultura e Inclusão da BAT América Latina, empresa global da indústria de tabaco, aponta que o modelo híbrido adotado pela companhia, com três dias no escritório e dois remotos, “veio para ficar”. Segundo Monique, a flexibilidade proporcionada impacta diretamente a qualidade de vida dos funcionários: nas grandes metrópoles, o tempo que seria gasto em deslocamento pode ser dedicado a exercícios físicos, convívio familiar ou autocuidado. Pesquisas internas da BAT corroboram que essa flexibilidade estimula o engajamento e facilita a retenção de talentos.
O Sebrae, instituição dedicada ao fomento de micro e pequenas empresas, igualmente adota um modelo que equilibra interação presencial e trabalho remoto. José Caetano Minchillo, gerente nacional de gestão de pessoas da organização, explica que a instituição opera com três dias de trabalho presencial e dois remotos. “O híbrido permite trabalhar em casa em projetos mais profundos e vir ao escritório para interagir com a equipe”, afirma. Para Minchillo, o trabalho exclusivamente remoto pode levar à perda de conexão entre os profissionais, resultando em um risco de diminuição do vínculo com a organização.
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Em suma, apesar das peculiaridades de cada setor e empresa, a tendência mais observada nas entrevistas e pesquisas aponta para a solidificação do modelo híbrido como um padrão de mercado. Este cenário reserva ao escritório um papel renovado, focado em promover a colaboração, impulsionar o desenvolvimento de talentos e fortalecer a cultura corporativa, enquanto as tarefas que exigem maior concentração seguem sendo realizadas remotamente. Fique por dentro de mais análises sobre o mercado de trabalho e as tendências do ambiente corporativo acessando nossa categoria de Análises e descubra como o cenário evolui para sua carreira e negócio.
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