O Partido Liberal (PL) deu entrada em uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de pleitear a suspensão da divulgação da pesquisa realizada pela AtlasIntel em colaboração com a Bloomberg. Publicado na terça-feira (19), o levantamento apontou uma queda nas intenções de voto destinadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cenário que o partido associa à vasta repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na argumentação apresentada perante a corte eleitoral, o PL afirma que a concepção do questionário empregado na pesquisa teria sido elaborada de forma a conduzir as respostas dos entrevistados para um viés negativo em relação ao pré-candidato da legenda à Presidência da República. A sigla argumenta que a pesquisa ultrapassou seu propósito fundamental de simplesmente medir a opinião pública ao incluir questões sequenciais acerca do Banco Master e, ainda, por reproduzir um arquivo de áudio no qual Flávio Bolsonaro estaria envolvido.
PL Aciona TSE Para Suspender Pesquisa de Flávio Bolsonaro
Conforme os apontamentos feitos pelo partido na ação judicial, dos 48 questionamentos que compunham o levantamento, um total de oito se dedicavam diretamente às discussões e contatos entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A defesa da sigla ressalta que houve o emprego de estratégias como o priming, o framing e a ancoragem, técnicas que, na ótica do PL, teriam a finalidade de estabelecer uma conexão entre o senador e as alegadas fraudes financeiras que se encontram sob investigação da Polícia Federal. Essa manipulação da narrativa buscaria criar um ambiente desfavorável para o político antes mesmo de questões diretas de intenção de voto.
O pedido formalizado junto ao TSE detalha que a construção do questionário da AtlasIntel foi sequencialmente planejada, envolvendo uma série temática. Iniciou-se com a discussão sobre fraude financeira, progredindo para o escândalo do Banco Master, em seguida Daniel Vorcaro, as conversas que foram vazadas, e a potencial conexão direta de Flávio Bolsonaro com tais fatos. Posteriormente, abordou-se o impacto que esse conjunto de informações poderia ter sobre o voto do eleitor, a percepção de um possível enfraquecimento da candidatura e até mesmo a eventual retirada desta.
Um aspecto crucial que o partido questiona refere-se à exibição de um material de áudio, cuja autoria é atribuída a Flávio Bolsonaro, diretamente durante a aplicação da pesquisa. Os advogados do PL alegam que esse material audiovisual não possuiria uma cadeia de custódia devidamente comprovada, nem sua autenticidade teria sido periciada, além de carecer de documentação completa anexada ao registro do levantamento no TSE, comprometendo a credibilidade de sua inserção no estudo eleitoral.
Na visão do Partido Liberal, a simples reprodução desse conteúdo dentro do ambiente da pesquisa deixou de ser um método imparcial para aferir a opinião dos entrevistados. Ao invés disso, o material passou a operar como um estímulo com viés negativo, buscando influenciar diretamente a percepção e as respostas dos participantes de forma induzida e prejudicial ao senador, em flagrante desrespeito às normas do TSE para pesquisas eleitorais.
Diante das irregularidades apontadas, o PL solicitou uma medida liminar que impedisse a continuidade da divulgação da pesquisa, de maneira a preservar a integridade do processo eleitoral e a imagem do pré-candidato. Adicionalmente, o partido requereu amplo acesso aos microdados completos do levantamento, ao sistema interno operacionalizado pela AtlasIntel, a todos os registros de aplicação dos questionários, bem como aos arquivos integrais relacionados ao áudio apresentado aos participantes da pesquisa.
Como alternativas às ações imediatas, a legenda política pleiteou a eventual imposição de multa ao instituto de pesquisa, caso se comprovem as irregularidades metodológicas alegadas. De forma secundária, o PL exigiu que, em futuras divulgações desse levantamento ou de outros de teor similar, sejam inseridas ressalvas claras sobre o caráter estimulativo das perguntas utilizadas, garantindo maior transparência e advertência aos eleitores e à opinião pública sobre o método empregado.
Imagem: infomoney.com.br
Em contraste às contestações, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apresentou resultados que indicaram uma queda de seis pontos percentuais para Flávio Bolsonaro em um cenário hipotético de segundo turno contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme os dados revelados, o senador alcança 41,8% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula concentra 48,9% da preferência eleitoral. Essa diferença acentua o desgaste de imagem atribuído ao pré-candidato do PL.
A divulgação desses números ocorreu apenas dias após a veiculação de reportagens que expuseram mensagens e gravações de áudio. Nelas, Flávio Bolsonaro aparece supostamente realizando cobranças de pagamentos a Daniel Vorcaro. Tais pagamentos estariam relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, uma produção audiovisual que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, configurando o epicentro das controvérsias.
Pelas redes sociais, Andrei Roman, o CEO da AtlasIntel, prontamente se manifestou para refutar as acusações formuladas pelo Partido Liberal. Em suas publicações na plataforma X (antigo Twitter), Roman assegurou que o material de áudio em questão foi exibido aos participantes apenas após a finalização de todas as perguntas eleitorais, descartando qualquer intenção de indução precoce. “Não há nenhum problema metodológico”, escreveu Roman, ao justificar a integridade do processo da AtlasIntel.
Segundo o executivo da AtlasIntel, a principal finalidade da inserção do áudio era precisamente aferir, em tempo real, qual seria o impacto do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre a percepção do eleitorado, tratando-se, portanto, de uma metodologia de monitoramento da dinâmica de opinião pública. Além disso, Roman reiterou publicamente que a AtlasIntel mantém uma conduta de estrita imparcialidade em todas as suas pesquisas, sejam elas realizadas no Brasil ou no exterior, reforçando o compromisso da empresa com a ética e a neutralidade.
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Este caso sublinha a complexidade das eleições e a sensibilidade dos dados de pesquisas, bem como a necessidade de rigor metodológico e transparência, um tema que continuaremos a explorar com novos desdobramentos na cena política nacional em nossa editoria. Continue acompanhando para mais análises e informações atualizadas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil.