Impacto do Cinema em FIIs: O Caso dos Fundos de Shopping

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A correlação entre o universo cinematográfico e o mercado financeiro tem ganhado destaque, especialmente no segmento de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) de shopping. O desempenho das bilheterias, impulsionado por eventos como a temporada do Oscar, pode reverberar diretamente na dinâmica desses empreendimentos. O atual cenário mostra o Brasil em evidência na principal premiação do cinema global, marcando presença pelo segundo ano consecutivo com um longa-metragem na disputa das categorias mais prestigiadas. A película em questão, “O Agente Secreto”, dirigida por Kleber Mendonça Filho, disputa quatro categorias importantes, incluindo Melhor Filme Internacional e Melhor Filme, e já demonstrou forte atração de público nas salas nacionais, com mais de 2,4 milhões de ingressos comercializados no país. Esse sucesso não se restringe apenas às telonas, ele se estende aos corredores dos centros comerciais, moldando o fluxo de consumidores e, consequentemente, as vendas e receitas dos fundos.

Alexandre Machado, gestor do HGBS11 (Hedge Brasil Shopping), um dos principais FIIs dedicados a shoppings no Brasil, salienta a importância contínua do cinema, mesmo diante das profundas transformações nos hábitos de consumo nos últimos anos. Segundo ele, é uma raridade encontrar um centro de compras que possa se permitir a ausência de um cinema. A sala de exibição atua como um destino dentro do shopping, atraindo visitantes para o empreendimento. A ida ao cinema muitas vezes serve de ponto de partida para uma experiência de consumo mais completa: dificilmente uma pessoa se limita a assistir ao filme, sendo comum estender a visita para um jantar, um café ou até mesmo algumas compras, o que consequentemente impulsiona receitas com estacionamento e praça de alimentação.

Impacto do Cinema em FIIs: O Caso dos Fundos de Shopping

Para os FIIs de shopping, a permanência de cinemas nos seus portfólios representa uma peça crucial na engrenagem que mantém a circulação de pessoas e estimula o consumo. Esses fatores são essenciais para sustentar e elevar as receitas, refletindo-se nos resultados distribuídos aos cotistas. A gestão do Hedge realizou um estudo interno que investigou a conexão entre o movimento nos cinemas, a circulação de veículos e as vendas nas praças de alimentação. A conclusão foi que existe, de fato, uma correlação significativa, mas a intensidade desse impacto flutua ao longo do ano.

Machado explica que o setor cinematográfico tende a ter uma influência mais proeminente no desempenho do empreendimento durante períodos de menor movimentação varejista. Em meses onde o fluxo de público no shopping é naturalmente mais baixo, como fevereiro ou setembro, a estreia de um filme de grande alcance nas bilheterias provoca um efeito perceptível no movimento da praça de alimentação e no fluxo geral de visitantes. Por outro lado, em temporadas de forte apelo para o varejo, como julho, dezembro ou durante a Black Friday, a performance das salas de cinema demonstra um peso relativo menor no resultado final dos shoppings.

Apesar dessa importância, os cinemas ainda não recuperaram completamente os níveis de público registrados antes da pandemia. Dados fornecidos pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que, em 2019, as salas brasileiras receberam 180,4 milhões de espectadores. Já em 2024, considerado o melhor ano do período recente, o número foi de 131,3 milhões, representando uma queda de aproximadamente 27% em comparação com os patamares pré-pandêmicos. Alexandre Machado sugere que parte dessa discrepância pode ser de natureza estrutural, resultado de uma conjunção de fatores, incluindo alterações nos hábitos de consumo do público e o crescimento exponencial das plataformas de streaming. A pandemia, segundo sua análise, acelerou a evolução do streaming, alterando permanentemente os padrões de consumo de entretenimento. É provável que exista uma perda de fluxo estrutural, estimável entre 20% e 25%, em comparação com o cenário anterior à crise sanitária.

A relevância dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) para o mercado brasileiro tem sido objeto de análises constantes por entidades como a Anbima, que detalha suas características e funcionamento no cenário financeiro. Aprofundar o conhecimento sobre o setor é crucial para investidores e para o entendimento de suas interconexões.

Impacto do Cinema em FIIs: O Caso dos Fundos de Shopping - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

Apesar da retração no número de espectadores, o setor cinematográfico conseguiu manter um certo fôlego em termos de faturamento. Essa resiliência foi atribuída principalmente ao ajuste no preço dos ingressos. Segundo o gestor Machado, o tíquete médio das salas de cinema teve um aumento aproximado de 30% desde 2019. Contudo, ele ressalta que esse reajuste ficou aquém da inflação acumulada no mesmo período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em outras palavras, embora o valor nominal do ingresso tenha subido, em termos reais, ou seja, considerando o poder de compra, o ingresso ficou proporcionalmente mais acessível para o consumidor.

O palco principal de consagração da sétima arte, o Oscar 2026, será realizado neste domingo (15) em Los Angeles. A cerimônia terá início às 22h, horário de Brasília, e poderá ser acompanhada pelos espectadores brasileiros através da HBO Max, TNT e Rede Globo. O comediante Conan O’Brien será o responsável pela apresentação do evento, que celebrará os destaques do cinema mundial e, indiretamente, reafirmará a relevância da indústria cinematográfica para diversos setores, incluindo os investimentos imobiliários.

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A conexão entre o sucesso do cinema e o desempenho dos FIIs de shopping evidencia como setores distintos se interligam na economia. Enquanto Hollywood celebra seus talentos, os impactos se refletem nos investimentos em propriedades comerciais, ressaltando a complexa teia que forma o mercado financeiro. Para aprofundar a compreensão sobre tendências econômicas e investimentos, explore mais artigos em nossa editoria de Economia, onde análises detalhadas podem auxiliar na sua jornada de conhecimento sobre o mercado.

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Crédito da imagem: Hedge.

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