Hackers que invadem gigantes financeiras utilizando o telefone realizaram uma série de ataques contra dezenas de importantes instituições nos Estados Unidos e outras empresas durante o último mês. Dados analisados pela Reuters, provenientes do Google e de inteligência sobre a internet, detalharam a abrangência dessas ações. Os criminosos digitais criaram websites falsos com o objetivo explícito de furtar credenciais de acesso de colaboradores de grandes gestoras de private equity e outras companhias proeminentes, incluindo nomes como Blackstone, Bridgewater Associates, Apollo Global Management, Bain Capital, KKR, TPG, CME Group e Moody’s, além de diversas outras organizações do setor financeiro e além.
Uma publicação recente no blog do Google sobre esta campanha de intrusões, divulgada em uma quinta-feira, revelou que os perpetradores operam sob diferentes identidades, sendo conhecidos como Redact, Pink, Falcon e Helix. As investidas sublinham uma vulnerabilidade persistente no setor financeiro, onde táticas de baixa tecnologia se mostram surpreendentemente eficazes.
Hackers Usam Ligações Para Invadir Gigantes Financeiras
Embora o Google tenha declinado comentar especificamente os achados reportados pela Reuters, seu próprio blog notou que, em alguns incidentes, empresas — cujos nomes não foram explicitados publicamente — cederam às demandas dos hackers e efetuaram pagamentos de resgate. A agência de notícias Reuters não foi capaz de determinar quais empresas foram efetivamente comprometidas pelas ações dos cibercriminosos. Este cenário de invasão digital não apenas aponta para as deficiências nas defesas digitais, mas também expõe como dados críticos de algumas das mais importantes firmas de private equity dos EUA, que investem capital em inúmeras outras empresas, podem estar em risco.
Especialistas da área de cibersegurança têm salientado que a estratégia de baixa tecnologia empregada pelos hackers, especialmente o uso de telefonemas para enganar o pessoal do setor financeiro, é uma demonstração de que métodos mais antigos ainda podem ser os mais potentes. Isso se torna evidente mesmo diante do avanço contínuo em softwares de segurança altamente complexos e do surgimento de ameaças sofisticadas baseadas em inteligência artificial. Segundo Lee Clark, gerente de produção de inteligência contra ameaças cibernéticas no Retail and Hospitality ISAC, um grupo de intercâmbio e análise de informações do setor, “a cerca agora é tão sofisticada e de alta tecnologia, só precisamos enganar o guarda para que ele abra a porta para nós”.
Clark complementou que “esse elemento humano é, consistentemente, a razão pela qual isso explodiu da maneira que explodiu”, destacando que a vulnerabilidade humana continua sendo um fator crucial para o sucesso desses ataques. As implicações dessas brechas são profundas, dado o volume e a sensibilidade dos dados que essas gigantes financeiras manipulam. Nomes como KKR, Bain Capital, CME, TPG e Apollo se recusaram a fazer declarações a respeito das investigações e dos ataques. Até o momento desta notícia, a Blackstone, Bridgewater Associates e Moody’s também não haviam respondido aos pedidos de comentário feitos pela reportagem.
Ataque Direcionado a Fundos de Private Equity e Firmas de Classificação de Risco
Em outra postagem detalhada em seu blog oficial, o Google, uma divisão da gigante Alphabet, informou que, em tempos recentes, os criminosos digitais mudaram seu foco para fundos de private equity, escritórios de advocacia renomados e agências de classificação de risco. Austin Larsen, que atua como analista-chefe de ameaças no Grupo de Inteligência de Ameaças do Google, elucidou que a motivação por trás da escolha desses setores é, predominantemente, um cálculo financeiro. Os hackers miram nestas áreas, frequentemente alcançando seus objetivos.
“Na verdade, é uma questão de dinheiro”, explicou Larsen. “Eles acreditam que essas empresas ou organizações possuem dados sensíveis o suficiente para que, caso sejam roubados, paguem para evitar isso.” Apesar de sua análise aprofundada, o Google manteve a discrição e não identificou especificamente nenhuma das organizações que foram alvos dos criminosos por nome. No entanto, a equipe da Reuters empreendeu um trabalho de engenharia reversa para identificar muitas das armadilhas online desenvolvidas sob medida para cada empresa. Esse processo envolveu a análise dos 72 websites maliciosos que o Google havia listado em seu relatório, utilizando plataformas de inteligência da web como DomainTools e urlscan, as quais indicaram subdomínios fraudulentos criados especificamente para as entidades visadas.
Em uma perspectiva mais ampla sobre os subdomínios identificados, Larsen afirmou que a vasta maioria deles provavelmente foi empregada em tentativas de invasão cibernética. Contudo, ele enfatizou que isso não significa que todas as tentativas obtiveram êxito. O Google também destacou que os atacantes empregaram táticas de engenharia social extremamente meticulosas, estabelecendo contato com os funcionários em seus telefones celulares particulares. Nessas ligações, eles se faziam passar por membros do suporte técnico da própria empresa, por vezes, chegando a exibir o número de telefone correto do departamento de suporte, a fim de conferir maior credibilidade ao golpe.
Imagem: infomoney.com.br
O Mecanismo da Engenharia Social
Durante as chamadas, os hackers instruíam as vítimas, alegando uma orientação “urgente” do departamento de Tecnologia da Informação (TI) para que atualizassem suas senhas ou as informações de autenticação multifatorial. Em seguida, os funcionários eram direcionados para um website malicioso, projetado como uma armadilha, que exibia nomes de domínio fraudulentos como “passkeyhelpdesk” ou “secure-passkey”, induzindo-os a crer que se tratava de portais legítimos. Caso um funcionário, sem perceber a fraude, seguisse as instruções e inserisse suas credenciais, os hackers estavam preparados para agir rapidamente. Eles coletavam o código de segurança — seja ele enviado por mensagem de texto ou gerado por um aplicativo de autenticação — em tempo real, enquanto a ligação telefônica ainda estava ativa. Essa manobra permitia que sequestrassem a conta da vítima antes que a chamada fosse sequer finalizada.
Para o analista Austin Larsen, a qualificação dessa tática como “avançada” não corresponde à realidade de sua execução. “Sofisticada não é a palavra certa”, disse ele. “É simplesmente muito eficaz.” Essa distinção ressalta que, muitas vezes, a eficácia não deriva da complexidade tecnológica, mas da capacidade de manipular o comportamento humano. A Reuters informou não ter conseguido estabelecer contato direto com os hackers. O grupo Redact, anteriormente conhecido pelo nome de Darkfiles, declarou em sua página na darknet que seus hackers não são motivados por interesses políticos ou morais e que, neste momento, não estão respondendo a quaisquer questionamentos da imprensa ou de terceiros. Informações como esta podem ser frequentemente encontradas em portais especializados, a exemplo do blog de segurança do Google Cloud.
Ainda pairam incertezas quanto à identidade exata dos hackers e à complexidade das relações entre os diferentes grupos. Apesar de usarem nomes distintos, Larsen observou que a infraestrutura que os sustenta aparenta ser compartilhada ou interligada. “Ainda há algumas incógnitas aqui”, ele confirmou. Essas tentativas de invasão geraram considerável burburinho e preocupação no cenário de Wall Street, algumas das quais já haviam sido previamente noticiadas por publicações como a Bloomberg.
Repercussão em Wall Street e Alvos Adicionais
Em um exemplo recente da repercussão dessas investidas, a Point72 Asset Management informou aos seus investidores, em uma quarta-feira, que também havia sido alvo de ações dos hackers, conforme revelou uma fonte familiarizada com o assunto. Essa mesma fonte, junto a uma segunda fonte consultada, confirmou que os hackers também direcionaram seus esforços para tentar invadir outros fundos de hedge de grande porte, como a Two Sigma Investments e a Citadel, cujos nomes igualmente figuravam nos dados examinados pela Reuters. Em resposta aos questionamentos da imprensa, a Two Sigma e a Point72 optaram por não responder às mensagens, enquanto a Citadel preferiu não fazer comentários a respeito.
Adicionalmente, os dados e a postagem do blog do Google revelam que vários outros conglomerados estavam na mira dos hackers antes de os criminosos reorientarem sua atenção para as instituições do setor financeiro. O vasto conjunto de informações analisadas indica que esses cibercriminosos planejaram armadilhas digitais para mais de 200 empresas em um período de apenas cinco semanas. Entre os alvos notáveis dessa lista estavam a empresa de transporte Uber, a corretora online Zillow e a reconhecida marca de jeans Levi Strauss, além de influentes escritórios de advocacia como Paul Hastings e Greenberg Traurig. As empresas Uber, Zillow, Paul Hastings e Levi Strauss não forneceram retorno imediato aos pedidos de comentário. A Greenberg Traurig, por sua vez, emitiu um comunicado oficial, afirmando categoricamente que não houve violação de dados em suas plataformas. O escritório atribuiu essa segurança às múltiplas camadas de protocolos que mantêm para a proteção das informações de seus clientes e da própria empresa, mas não detalhou quais seriam esses protocolos.
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A constante evolução das táticas de ataque cibernético e a surpreendente eficácia de métodos de engenharia social de “baixa tecnologia” reforçam a importância de uma vigilância contínua e da educação em segurança para todos os níveis corporativos. A segurança de dados cruciais e a integridade de instituições financeiras permanecem no epicentro das preocupações no ambiente digital atual. Continue acompanhando nossas análises detalhadas e as últimas notícias sobre economia em rarosolutions.com/economia para manter-se informado sobre os desafios e as soluções que moldam o futuro do mercado.
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