Um recente estudo da TransUnion revelou um **paradoxo da fraude digital**: enquanto a taxa de tentativas suspeitas de ataques virtuais globalmente apresentou um recuo significativo em 2025, o impacto financeiro para as vítimas e o nível de sofisticação dos golpes se intensificaram. Este cenário, à primeira vista animador para executivos e empresas de segurança, esconde uma complexidade crescente no ambiente digital, desafiando as estratégias tradicionais de proteção.
O relatório global da TransUnion, referente ao primeiro semestre de 2026, apontou que a taxa de tentativas suspeitas de fraude digital recuou para 3,8% no ano de 2025. Este patamar representa o menor índice observado desde o ano de 2022. Os dados compilados para a análise provêm de duas frentes robustas de inteligência: insights obtidos através de uma ampla pesquisa global com 12.730 consumidores distribuídos em 18 países e, ainda, informações valiosas de bilhões de transações processadas na rede de inteligência proprietária da TransUnion.
Apesar da aparente diminuição no número de incidentes, essa queda na taxa geral de tentativas de fraude não significa, contudo, que há menos fraudes de fato em curso. Um dos principais fatores para esta aparente discrepância é o substancial aumento no volume de transações digitais em escala mundial. Com mais indivíduos realizando compras e conduzindo operações online diariamente, a proporção de casos identificados como suspeitos acaba por se apresentar mais diluída no universo total. Além disso, o relatório global da TransUnion evidencia uma mudança crucial na natureza dos crimes cibernéticos, onde se observa que os ataques tornaram-se mais cirúrgicos, altamente sofisticados e com potencial financeiro devastador para as vítimas.
Fraude Digital: Ataques Caem, Prejuízo Aumenta com Sofisticação
Os perpetradores dessas fraudes digitais também adaptaram sua metodologia. Eles utilizam dados vazados, credenciais obtidas por meios ilícitos e táticas de engenharia social para invadir contas existentes ou estabelecer novos acessos que aparentam legitimidade, tornando a detecção mais complexa. Um ponto fundamental que se destaca é a mudança no foco desses ataques, que estão cada vez mais direcionados aos próprios consumidores, e não primariamente aos sistemas de segurança das empresas. Tal redirecionamento dificulta enormemente a identificação dessas ameaças por meio de ferramentas tradicionais de detecção de fraudes, conforme detalhado no levantamento da TransUnion.
Novas Táticas de Fraude Digital e Impacto nos Consumidores
Este cenário de constante evolução da fraude digital, mesmo com a redução na taxa geral de tentativas, mantém a paisagem de risco complexa. Os golpes se tornam progressivamente mais convincentes, o que abala profundamente a confiança dos consumidores e resulta em prejuízos financeiros significativos. Os achados do estudo da TransUnion carregam implicações diretas para o modelo de negócios de empresas que atuam na venda de serviços ou produtos digitais. Uma parcela considerável dos consumidores globais entrevistados (77%) enfatizou que a confiança na segurança de suas informações pessoais é o critor de maior importância na decisão de com quem realizarão transações online. Na região da América Latina, essa proporção ascende para impressionantes 83%.
A Confiança Digital como Fator Decisivo para Empresas
De acordo com os insights obtidos pelo levantamento, os consumidores estão em busca de experiências digitais que ofereçam não apenas segurança e proteção, mas também conveniência, especialmente quando se trata de transações financeiras. Mais da metade dos entrevistados (56%) indicou que consideraria seriamente a possibilidade de mudar para outra empresa em busca de uma experiência digital superior. Quando questionados sobre os fatores que os impediriam de retornar a um site específico, a preocupação com fraudes emergiu como a resposta mais citada, mencionada por 65% dos respondentes. Diante deste panorama, para atrair e, crucialmente, reter clientes, as organizações precisam não apenas garantir a segurança, mas também comunicar e demonstrar com clareza a confiança no manejo e uso dos dados dos usuários. Quase metade dos consumidores (49%) classificou a segurança das informações pessoais como o atributo de maior peso em plataformas e empresas online.
Setores Mais Visados e os Riscos na Abertura de Contas
Entre os diversos segmentos analisados, a indústria de jogos eletrônicos, que abrange desde apostas até jogos de pôquer, registrou o maior percentual de tentativas suspeitas de fraude digital. Em 2025, esse índice atingiu 12,8%, representando um aumento notável em comparação aos 7% registrados em 2024. Em segundo lugar no ranking de setores mais visados, figuraram os serviços de comunidade, incluindo os sites de namoro online. Há uma explicação lógica para a liderança desses setores: criminosos exploram de maneira oportunista o caráter social e interativo desses ambientes, que englobam desde videogames até plataformas de comunidades online. Eles criam perfis falsos e empregam táticas sofisticadas para aplicar golpes e veicular ofertas enganosas aos consumidores. Em alguns casos, o objetivo principal é a fraude direta e imediata; no entanto, com maior frequência, essas abordagens iniciais são empregadas para a coleta de informações pessoais, dados que posteriormente viabilizarão tentativas de invasão de contas (ATO – Account Takeover) ou a abertura de novas contas fraudulentas.
O estudo também mapeou minuciosamente a jornada do cliente, identificando que o momento de maior vulnerabilidade para as empresas reside durante a etapa de abertura de contas, o processo conhecido como onboarding. Na América Latina, 5,7% das tentativas de cadastro digital são marcadas como suspeitas de fraude. Na mesma região, entre os consumidores que reportaram perdas financeiras em decorrência de fraudes digitais no último ano, a média dos valores perdidos foi de US$ 1.973, o que equivale a aproximadamente R$ 10.989. Esses números refletem impactos financeiros consideráveis sobre as finanças pessoais dos indivíduos e minam a confiança geral no uso dos canais digitais.
Imagem: infomoney.com.br
Cenário da Fraude Digital na América Latina e Brasil
Uma análise mais aprofundada por país na América Latina revela distinções importantes: o México se destaca como a nação com a maior perda média por fraude, atingindo R$ 18.754, enquanto o Chile apresentou a menor, com R$ 7.970. No Brasil, apesar de a perda média por fraude digital ter se mantido ligeiramente abaixo da média regional, registrando R$ 10.699, observou-se um alarmante aumento de 60% em relação ao ano de 2024. Adicionalmente, a taxa geral de fraude digital no Brasil alcançou 3,8%, um percentual que supera a média regional, sinalizando uma maior exposição dos consumidores e empresas brasileiras aos riscos de ataques cibernéticos.
Em contraste com o panorama global, onde predominam esquemas de roubo e uso indevido de informações em sites de e-commerce e a operação de “contas laranja”, na América Latina o vishing emergiu como o golpe mais relatado. O vishing, que combina as palavras “voice” e “phishing”, descreve especificamente golpes orquestrados através de ligações telefônicas ou comunicações de voz, sendo a modalidade mais incidente entre os consumidores da região que experimentaram perdas financeiras.
Investimentos em Prevenção e Perspectivas Futuras
No entanto, o relatório da TransUnion também trouxe dados animadores para a América Latina. No ano de 2025, os investimentos direcionados à prevenção de fraudes desempenharam um papel crucial, contribuindo para uma significativa redução de 46% nas tentativas suspeitas de fraude digital nos países latino-americanos analisados. Essa diminuição foi observada em comparação com os dados registrados em 2024, indicando que as estratégias e tecnologias antifraude estão gerando resultados tangíveis e fortalecendo as barreiras contra a criminalidade digital na região.
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Apesar do paradoxo apresentado pela redução do número de ataques suspeitos em contraponto ao aumento da sofisticação e dos prejuízos causados pela fraude digital, a atenção aos dados e a evolução contínua das estratégias de prevenção são cruciais para a segurança dos consumidores e a confiança nas transações online. Para mais análises aprofundadas sobre o impacto da economia digital e as tendências de mercado, continue acompanhando a editoria de Economia em nosso site e mantenha-se informado sobre os temas que moldam o futuro do setor.
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