Chileno Preso por Racismo em Avião: Aumento de Indisciplina

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Um executivo chileno foi detido por agentes no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, acusado de proferir comentários racistas e homofóbicos contra passageiros e membros da tripulação de um avião. O caso, que ganhou repercussão nacional, destaca um cenário preocupante: a indisciplina em avião tem mostrado um aumento significativo em voos nacionais.

A detenção do empresário ocorreu na última sexta-feira, dia 15 de maio, após um incidente em 10 de maio. Na ocasião, o passageiro, identificado como Germán Naranjo Maldini, que voava de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha, no voo LA8070 da Latam, protagonizou um episódio de agressões verbais. Ele foi detido ao retornar ao Brasil para uma conexão.

Chileno Preso por Racismo em Avião: Aumento de Indisciplina

De acordo com informações da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), os casos de conduta antissocial em voos domésticos no Brasil experimentaram um crescimento próximo de 20% no primeiro trimestre do ano em curso, quando comparado com o mesmo período em 2025. Esse aumento é reflexo de uma crescente preocupação no setor aéreo. No total, foram 434 queixas registradas entre janeiro e março, representando uma média de quase cinco ocorrências diárias e um aumento de 19% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. No ano de 2023, as reclamações sobre incidentes em voos nacionais já haviam registrado um salto de 66% em comparação a 2024, totalizando 1.764 casos.

Em resposta ao agravamento dessa situação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) implementou, em março, uma resolução com o objetivo de endurecer as penalidades aplicadas a passageiros que perturbam a ordem em voos. As novas diretrizes entrarão em vigor em 14 de setembro e preveem sanções severas, incluindo multas que podem atingir R$ 17,5 mil, além da possibilidade de proibição de acesso do infrator a todos os aeroportos brasileiros por um período de doze meses.

Para sistematizar a aplicação dessas punições, a nova regulamentação da Anac classifica as infrações em três categorias distintas. A “indisciplina leve” abrange condutas como elevar o tom de voz, apresentar postura hostil ou uma recusa inicial em seguir instruções. Já a “indisciplina grave” engloba cenários que demandam intervenção de segurança, como agressões verbais ou a persistente recusa em cumprir as normas de segurança. A “indisciplina gravíssima”, por sua vez, refere-se a comportamentos que comprometem a segurança da aeronave e a dignidade humana, tais como agressões físicas, importunação sexual a bordo e tentativas de assumir o controle da aeronave.

A resolução ainda determina que a Anac, em conjunto com as companhias aéreas e a Polícia Federal, estabeleça um fluxo contínuo de compartilhamento de dados. Essa colaboração visa assegurar a correta aplicação das sanções aos indivíduos que desrespeitarem as regulamentações de segurança aeroportuária, reforçando a integridade das operações e a experiência dos demais passageiros.

O incidente protagonizado por Maldini durante o voo da Latam é um exemplo marcante da crescente indisciplina aérea. Em um vídeo que circulou amplamente nas redes sociais, o executivo, que atuava como gerente na Landes – uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha –, profere diversas ofensas. As agressões tiveram início quando ele tentou abrir a porta do avião e foi impedido pela tripulação, escalando para insultos verbais discriminatórios.

O vídeo documentou explicitamente os comentários proferidos. Inicialmente, o chileno disse: “Ele é gay contra mim”. Ao ser questionado por uma comissária sobre o problema, Maldini respondeu, de forma desconexa: “Ninguém tem problema algum, ele tem um problema comigo. Os gays já basta serem tão tão…”, complementando mais tarde, “É um problema, para mim, ser gay”. Em seguida, o tom das agressões mudou para comentários racistas: “A pele negra. O que mais o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro”. Apesar de alertado pela tripulação de que seria desembarcado por estar “incomodando e agredindo”, ele reagiu de forma desafiadora, e prosseguiu com insultos: “Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores”, proferindo sons que imitavam primatas.

A Polícia Federal iniciou uma investigação com base na denúncia registrada pela vítima, que culminou com uma ordem de prisão preventiva emitida pela Justiça Federal contra Maldini. A Latam confirmou que o executivo foi detido em Guarulhos na última sexta-feira, dia 15 de maio. Após uma audiência de custódia, Maldini foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde permanece sob a disposição da Justiça.

Em nota oficial, a Latam rechaçou categoricamente a prática discriminatória e violenta, englobando crimes de racismo, xenofobia e homofobia. A companhia aérea ressaltou que está prestando suporte psicológico e assistência jurídica ao funcionário que foi alvo das ofensas. Em relação à empresa Landes, esta divulgou um comunicado em que repudiou a conduta de seu colaborador, classificando-a como “absolutamente incompatível” com seus valores e sua Política de Não Discriminação. Em uma ação preventiva, a Landes formalizou o afastamento de Germán Naranjo de suas funções enquanto as investigações pertinentes são conduzidas, segundo informações veiculadas pela imprensa chilena.

No Brasil, a legislação penal tem se tornado mais rigorosa contra crimes discriminatórios. Desde 2023, a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo, tornando-se uma infração imprescritível e inafiançável em âmbito policial. As penas previstas variam de dois a cinco anos de reclusão, além de multas. O Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo ano, também determinou que insultos de cunho homofóbico são passíveis de pena de prisão, reforçando a proteção legal a todas as minorias.

O caso do executivo chileno sucede outro incidente notório envolvendo a advogada argentina Agostina Páez, processada por imitar gestos de macaco contra funcionários em um estabelecimento no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. A advogada permaneceu em prisão domiciliar no Brasil por três meses e teve sua saída do país autorizada após o pagamento de uma fiança de aproximadamente US$ 20 mil, além da obrigação de fixar um endereço na Argentina para notificações futuras. Estes exemplos demonstram a seriedade com que as autoridades brasileiras estão tratando as violações da dignidade humana.

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A situação envolvendo o chileno preso por racismo e a crescente indisciplina em avião são tópicos de grande relevância, exigindo um olhar atento sobre a conduta individual e as regulamentações em vigor. Para aprofundar-se em questões urbanas e sociais relevantes, acompanhe nossa editoria de Cidades.

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