A aquisição de times esportivos por bilionários atingiu um patamar sem precedentes no cenário global, evidenciando uma escalada de preços que tem redefinido o mercado. Recentemente, Bob Iger e Joshua Kushner concretizaram um negócio que lhes deu o controle do Los Angeles Lakers, em uma transação que avaliou a franquia da National Basketball Association (NBA) em impressionantes US$ 12,5 bilhões. Este valor representa um recorde absoluto para uma equipe da NBA, superando os US$ 10 bilhões que haviam sido atribuídos ao próprio Lakers apenas no ano anterior, consolidando um ciclo contínuo de aumentos estratosféricos nas vendas de propriedades esportivas.
A percepção comum de que era viável adquirir uma franquia da NBA na segunda maior metrópole dos Estados Unidos por cerca de US$ 2 bilhões parece agora uma memória distante. A vertiginosa ascensão dos valores leva à inevitável pergunta sobre a natureza deste fenômeno: trata-se de uma euforia desmedida ou de uma recalibração realista das condições de mercado, refletindo o verdadeiro valor que o esporte contemporâneo representa?
Nesse contexto, as vendas recentes apenas reforçam a tese de que os preços seguirão em ascensão. A avaliação de que um ativo “vale aquilo que alguém está disposto a pagar” foi reiterada por Mark Cuban, ex-proprietário do Dallas Mavericks, via comunicação por e-mail. Cuban, que havia adquirido o Mavericks de Ross Perot Jr. em 2000 por US$ 285 milhões, viu sua participação majoritária na equipe da NBA ser negociada para Miriam Adelson e Patrick Dumont em 2023, num acordo que projetou o valor da franquia para aproximadamente US$ 3,5 bilhões. É dentro desse panorama de reajustes e negociações em valores nunca antes imaginados que se insere o tópico que a comunidade esportiva global tanto discute atualmente:
Bilionários Compram Times Esportivos Por Valores Recorde
O ano de 2023 marcou diversos marcos adicionais nesse aquecido mercado. O Phoenix Suns, da NBA, e o Phoenix Mercury, da WNBA, foram vendidos a Mat Ishbia, cuja fortuna provém do setor de crédito imobiliário, em uma transação avaliada em US$ 4 bilhões. Ainda no mesmo ano, a lenda do basquete Michael Jordan optou por alienar uma parcela majoritária do Charlotte Hornets, em um negócio que estipulou o valor da equipe em US$ 3 bilhões – um montante substancialmente maior, US$ 2,7 bilhões acima do que Jordan havia investido em 2010. Naquele momento, essas cifras pareciam, para muitos analistas e observadores, extravagantes, especialmente ao considerar os respectivos tamanhos dos mercados de atuação dessas franquias. Contudo, rapidamente se tornaria evidente que se tratava apenas do início de uma tendência.
Em 2025, o cenário de vendas recordes prosseguiu de forma ininterrupta. Bill Chisholm liderou um consórcio de investidores que concretizou a aquisição do Boston Celtics por uma valuation de US$ 6,1 bilhões. Esse evento precedeu por poucos meses a transação em que o financista Mark Walter garantiu uma fatia majoritária do Los Angeles Lakers, com o time sendo avaliado em US$ 10 bilhões. Embora as franquias da NFL sejam comercializadas com menor frequência, um episódio recente no mês passado viu o Seattle Seahawks mudar de mãos por incríveis US$ 9,6 bilhões, sublinhando a solidez e o crescimento do valor em ligas de elite.
O fervor em torno dessas avaliações extraordinárias está longe de alcançar seu ápice, conforme pontuou Irwin Kishner, sócio e copresidente da divisão de direito esportivo do escritório Herrick. Segundo ele, não há indícios de um teto para esses valores, e, no caso particular das equipes mais renomadas e historicamente estabelecidas, é plenamente concebível que essas cifras continuem a ascender. As organizações a que ele se refere englobam potências como o New York Knicks (NBA), o Dallas Cowboys (NFL) e o New York Yankees (MLB).
Corroborando essa perspectiva, os Yankees recentemente receberam um aporte de US$ 2,6 bilhões em investimentos, elevando a avaliação da franquia para uma cifra próxima dos US$ 10 bilhões na semana passada. Esse tipo de transação sublinha como até mesmo as marcas esportivas mais consagradas estão se tornando alvo de grandes volumes de capital, impulsionadas por fatores diversos que os especialistas da indústria têm observado e documentado com atenção. Análises sobre a economia do esporte frequentemente abordam o papel crucial da gestão financeira no setor.
A indústria esportiva aponta para múltiplos elementos que catalisam a valorização acentuada dessas propriedades. O esporte figura como uma das poucas formas de entretenimento que ainda conseguem mobilizar grandes públicos para o consumo televisivo ao vivo. Consequentemente, as ligas, e por extensão, as equipes, estão colhendo recompensas financeiras significativamente maiores pelos direitos de transmissão de seus jogos. Um exemplo proeminente dessa tendência foi o pacote de direitos televisivos da NBA: um robusto contrato de 11 anos com diversas emissoras, cujo valor é estimado em aproximadamente US$ 77 bilhões.
Imagem: infomoney.com.br
Além disso, a proliferação da legalização das apostas esportivas tem surgido como um manancial inédito de receita para as franquias, de acordo com as observações de Kishner. Existe ainda uma percepção robusta de que os eventos esportivos, assim como outras experiências ao vivo e presenciais, podem se mostrar resilientes frente aos potenciais impactos disruptivos da inteligência artificial. O acordo que selou a compra do Lakers, inclusive, foi articulado por um braço da empresa de investimentos de Kushner, dedicada a empreendimentos que, conforme a própria companhia, são menos suscetíveis a grandes transformações tecnológicas.
Outro fator inegável que auxilia nesta equação de valorização é o montante cada vez maior de recursos financeiros à disposição dos bilionários. Contudo, é importante ressaltar que grande parte das recentes transações envolveu conglomerados de investidores, e não mais compradores isolados. Um exemplo disso é o envolvimento de Jeff Bezos, fundador da Amazon e uma das pessoas mais ricas do mundo, que integrou um amplo grupo de investidores para adquirir cerca de um terço do Liverpool FC em um acordo finalizado na última sexta-feira. “Acredito que, de agora em diante, será incomum presenciar uma única pessoa assinando um cheque para comprar um time”, comentou Mark Cuban, pontuando que essa mudança de perfil dos compradores acarreta suas próprias e substanciais implicações para o futuro do esporte.
Nem todos, entretanto, veem essa maciça injeção de capital com otimismo. David Andrews, professor da Universidade de Maryland e especialista em sociologia do esporte, descreve o esporte como “a galinha dos ovos de ouro”. Ele expressa preocupação sobre uma eventual desilusão por parte dos torcedores, caso as ligas e as equipes se inclinem para uma excessiva comercialização e se movam exclusivamente por imperativos financeiros. Contudo, essa desilusão ainda não se manifestou, ele observa. “Por algum motivo, a galinha mantém seu fascínio, e nós permanecemos cativados pelo jogo, apesar de sua hiperfinanceirização”, conclui.
A preocupação é compartilhada por Bill Simmons, empresário de mídia e conhecido fã dos esportes de Boston, que lamenta a tendência dos super-ricos de enxergar equipes esportivas mais como veículos de investimento do que como instituições comunitárias cruciais a serem zeladas. Simmons, em um episódio recente de seu podcast homônimo, manifestou seu receio: “Você ainda deseja acreditar que os indivíduos que gerem as principais equipes verdadeiramente se importam com esses times.” Para ele, a era atual parece indicar que as equipes esportivas estão se convertendo em gigantescas operações de fundos de hedge. Adicionalmente, ele criticou veementemente a venda e revenda rápida de franquias como o Lakers: “Ver alguém comprar e revender o Lakers em um ano e meio, como se fosse a negociação de uma mansão em Bel Air ou algo semelhante, é simplesmente absurdo. Essa é a joia da coroa da liga”, sentenciou Simmons, destacando a singularidade e o valor intrínseco de algumas das franquias mais prestigiadas do esporte.
Confira também: meusegredoblog
A valorização exorbitante dos times esportivos e a crescente entrada de grupos de investimento liderados por bilionários redesenham o panorama das ligas profissionais. Enquanto especialistas discutem se essa é uma reavaliação justa de mercado ou uma euforia com potencial de riscos, é inegável que o esporte continua a ser um ativo de valor inestimável e estratégico, impulsionado por direitos de transmissão, apostas e uma percepção de resiliência. Para se aprofundar nas nuances econômicas e sociológicas por trás desses fenômenos, continue acompanhando as análises e notícias da nossa editoria de Economia em rarasolutions.com, onde exploramos as tendências que moldam o futuro do entretenimento global.
Contato: Fale com Nossas Equipes
Crédito: Publicidade