Independentemente do desfecho das eleições presidenciais deste ano, a economia brasileira deverá passar por um ajuste fiscal pós-eleição significativo. Essa projeção, articulada por Rogério Poppe, CEO da ARX Investimentos, sugere um período favorável para a bolsa de valores no Brasil, à medida que o próximo governo busca reequilibrar as contas públicas.
Para o especialista, o debate atual sobre a possível tributação de títulos financeiros atualmente isentos já sinaliza o retorno do tema fiscal à pauta prioritária assim que o processo eleitoral for concluído. A própria menção, por parte da equipe do Ministério da Fazenda, sobre a necessidade de taxar títulos que hoje são isentos é um claro indicativo da preocupação e do planejamento para aprimorar a saúde fiscal do país na fase pós-eleições.
ARX: Ajuste Fiscal Pós-Eleição Impulsiona Bolsa Brasileira
Este cenário de provável ajuste fiscal pós-eleição é de particular interesse para investidores em ações. Na análise do gestor da ARX, a performance das empresas com maior exposição ao consumo interno só apresentará melhoria substancial com uma aceleração do ciclo de corte de juros. Esse ciclo, por sua vez, está diretamente atrelado a um quadro fiscal robusto. Poppe destaca que a expansão da economia brasileira tem sido fortemente impulsionada por gastos públicos, enquanto o poder de compra dos consumidores tem sido erodido por um nível elevado de endividamento e a ascensão de plataformas de apostas. As empresas voltadas ao mercado consumidor doméstico têm enfrentado desafios consideráveis, exacerbados pelos altos patamares de juros.
Poppe argumenta que a reorganização fiscal ocorrerá, seja qual for o resultado das urnas. Um presidente recém-eleito precisaria apresentar propostas para arrumar as finanças antes de iniciar plenamente sua governança, especialmente na segunda metade do mandato. Mesmo no caso de uma eventual reeleição, a administração vigente de Luiz Inácio Lula da Silva também precisaria implementar alguma forma de correção. Ele enfatiza que, embora não se esperem alterações drásticas, as medidas seriam pontuais, mas eficazes para aliviar as taxas de juros e impulsionar o mercado acionário no âmbito doméstico.
Até que este panorama se defina, o investidor em ações será convocado a exercer paciência, navegando pelo segundo semestre do ano rumo a um cenário eleitoral mais claro. A expectativa de Poppe é que, na ausência de novas iniciativas de gasto público, as notícias sobre as contas governamentais possam se tornar menos negativas nos próximos meses. Este alívio abriria margem para uma reação positiva no mercado de ações.
Sob o ponto de vista técnico, o gestor avalia que o terreno já está preparado para uma virada ágil. A exposição tanto de investidores nacionais quanto estrangeiros ao Brasil encontra-se em patamares baixos, e muitas companhias negociam com valores de 20% a 30% abaixo de suas médias históricas de preço em relação aos lucros. Apenas um catalisador seria necessário para impulsionar o mercado. Poppe reitera que o mercado está bastante leve e, com base no comportamento de janeiro a março, qualquer mudança de humor pode resultar em uma escalada rápida da bolsa.
Para Poppe, os valores permanecem deprimidos pela conjunção de taxas de juros locais elevadas e o robusto ciclo de expansão das empresas de tecnologia americanas, que captaram grande volume de recursos de investidores desde 2023. A previsão é de que este fluxo de capital se normalize, com parte do montante retornando à economia tradicional, mas em um horizonte de dois a três anos. No curto prazo, a eleição e a agenda fiscal permanecem os principais gatilhos para mudanças, fora de qualquer outro impulso de um futuro ajuste fiscal pós-eleição. Para entender mais sobre as diretrizes econômicas, confira informações adicionais do Ministério da Fazenda.
Esta leitura provém de uma das mais consolidadas gestoras de ações do Brasil. O fundo principal da ARX, o ARX Income, acumula um ganho de 10.368% desde sua criação, em contraste com 1.408% do Ibovespa e 2.187% do CDI no mesmo período, conforme dados da Economatica. O fundo foi lançado em julho de 1999, precedendo a fundação da própria gestora, que ocorreu em 2001 e recentemente completou 25 anos. Desde 2008, a ARX é controlada pelo grupo internacional BNY.
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No decorrer deste ano, o ARX Income registrou valorização de 6,0% e 22,3% nos últimos 12 meses, enquanto o Ibovespa alcançou 9,6% e 30,5%, respectivamente. Poppe atribui essa diferença à concentração da recente alta do índice em ações da Petrobras (PETR4). A carteira do fundo, por outro lado, é mais diversificada, o que, em sua avaliação, deverá favorecer o fundo à medida que outras ações começarem a se valorizar.
Em sua trajetória na ARX desde 2006, Rogério Poppe testemunhou a profunda transformação do mercado de gestão, com a migração de recursos de investidores locais de ações para a renda fixa e para os títulos isentos. A base de investidores de longo prazo em renda variável, hoje predominantemente estrangeira, foi crucial para o fundo atravessar sucessivas crises. Nos últimos anos, a gestora diversificou suas estratégias, expandindo-se para o crédito privado, que hoje responde por R$ 36 bilhões dos R$ 54 bilhões sob gestão, enquanto a renda variável soma R$ 5,5 bilhões.
Analisando o atual panorama de preços, Poppe identifica as ações de commodities como as mais bem precificadas, devido à sua correlação com o mercado global. Os ativos defensivos, caracterizados por serem bons pagadores de dividendos e por possuírem receitas previsíveis, com especial destaque para o setor elétrico, também estão ajustados, uma vez que a maioria dos investidores buscou neles uma fonte de proteção. O que, de fato, contribui para a baixa do valor da bolsa são os papéis cíclicos, aqueles atrelados diretamente à atividade econômica, como bancos e consumo discricionário, severamente impactados pelo alto custo do crédito e a expectativa de um necessário ajuste fiscal pós-eleição.
Diante desse cenário, o ARX Income mantém uma concentração estratégica em commodities e ações defensivas, ao mesmo tempo em que aprimora sua diversificação. O fundo incrementou sua exposição ao setor elétrico e, adicionalmente, ao consumo discricionário, buscando um equilíbrio enquanto aguarda a definição do pleito eleitoral. A abordagem é ajustar a carteira de forma mais ou menos defensiva conforme as propostas dos candidatos ganham forma.
No panorama internacional, Poppe projeta um ambiente que continuará a ser volátil, marcado pelas idas e vindas políticas e econômicas do ex-presidente americano Donald Trump, o que reforça a preferência por uma carteira equilibrada e prudente. No Brasil, ele avalia que, independentemente do resultado das eleições, é factível trabalhar com um horizonte de dois a três anos para a escolha de empresas que apresentem lógica e sustentabilidade nesse período. Sua conclusão enfatiza a necessidade de sobreviver no cenário desafiador atual, onde a ousadia excessiva não se mostra a melhor estratégia.
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Em resumo, a ARX Investimentos, por meio de seu CEO Rogério Poppe, aponta o ajuste fiscal pós-eleição, incluindo a possível taxação de títulos isentos, como o motor principal para a recuperação da bolsa brasileira e um necessário impulso para a economia. Acompanhe nossas análises aprofundadas sobre o mercado financeiro e as projeções econômicas acessando nossa editoria de Economia.
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