Bancos: Europa avalia calor extremo em testes de estresse

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A Autoridade Bancária Europeia (EBA) está examinando a fundo a exposição dos bancos aos crescentes riscos atrelados ao calor extremo. A iniciativa surge em um cenário de temperaturas recordes consecutivas no continente, o que impulsiona os reguladores a reavaliar a capacidade das instituições financeiras de resistir a choques climáticos.

Com sede em Paris, a EBA trabalha no desenvolvimento de metodologias para quantificar o impacto financeiro das ondas de calor intensas. A expectativa é que essa avaliação possa resultar na inclusão do calor extremo como um fator de risco separado e permanente nos testes de estresse regulares. Esses testes medem a solidez dos bancos diante de perdas potenciais e são cruciais para a estabilidade do sistema financeiro.

Bancos: Europa avalia calor extremo em testes de estresse

Essa medida reforça a atuação dos reguladores europeus, visto que o continente tem sido uma das regiões mais afetadas pelo aquecimento global. Complementarmente, o Banco Central Europeu (BCE) comunicou na última terça-feira, 2 de julho, que irá implementar uma redução no valor das garantias bancárias que exibem vulnerabilidade a riscos climáticos. Essa ação tem como propósito proteger-se contra eventuais prejuízos e fomentar uma gestão de risco mais robusta nas instituições.

Conforme dados da Agência Europeia do Meio Ambiente, eventos climáticos e meteorológicos extremos resultaram em perdas superiores a €200 bilhões entre os anos de 2021 e 2024. A EBA visa, com isso, determinar o nível de exposição das carteiras de crédito bancárias a este tipo específico de prejuízo, compreendendo melhor como esses fenômenos impactam o balanço dos bancos.

Apesar do crescente reconhecimento do problema, a Autoridade Bancária Europeia sinaliza que os danos relacionados ao calor são inerentemente mais complexos de mensurar quando comparados a desastres como enchentes e incêndios florestais. Por enquanto, a próxima rodada de testes de estresse sobre a resiliência dos bancos europeus, que se estenderá até 2027, terá seu foco principal no risco de enchentes.

Este processo de avaliação, conduzido conjuntamente pela EBA, pelo BCE e por supervisores nacionais, abrangerá um período de três anos. Diferentemente de edições passadas, os bancos serão agora submetidos a cenários elaborados para medir sua vulnerabilidade tanto aos riscos da transição para uma economia com baixo teor de carbono quanto aos riscos físicos diretos provenientes das alterações climáticas, proporcionando uma análise mais completa.

A EBA explicou que a avaliação do risco de inundações é mais facilitada devido à capacidade de cruzar mapas de risco com a localização física dos ativos. Essa metodologia permite que os bancos estimem as exposições e os danos potenciais de forma mais uniforme e consistente entre diferentes instituições, simplificando o processo de medição de risco.

Os custos anuais vinculados a enchentes, consideradas a categoria mais frequente de desastre natural, alcançaram um patamar superior a €31 bilhões na União Europeia em 2024. Este valor representa um aumento considerável em relação à média anual de €8,6 bilhões registrada entre 1980 e 2024. As projeções da Agência Europeia do Meio Ambiente são ainda mais alarmantes, estimando que os custos apenas das inundações costeiras podem ascender a €1 trilhão por ano até o final deste século.

Embora o calor extremo não constitua uma categoria isolada nos próximos testes de estresse bancários, a EBA reiterou que é um risco climático cada vez mais reconhecido. Seus impactos já se manifestam em indicadores macroeconômicos diversos, como a produtividade do trabalho, o desempenho setorial, a demanda por energia, a produção agrícola e, de forma mais ampla, a atividade econômica. No entanto, integrar variáveis macroeconômicas complexas como o Produto Interno Bruto (PIB) nesse modelo atual exigiria o desenvolvimento de uma abordagem distinta, um desafio considerável.

A inclusão do calor extremo na atual fase de testes acrescentaria uma camada significativa de complexidade e imporia uma carga adicional tanto sobre as instituições bancárias quanto sobre os órgãos supervisores, afirmou a EBA. A Autoridade Bancária Europeia tem o papel fundamental de monitorar e avaliar a resiliência do sistema financeiro do continente, e pode-se buscar mais informações em fontes oficiais da EBA.

A mais recente onda de calor intenso, que deixou ruas desertas em diversas metrópoles europeias – fenômeno que remete ao período da pandemia de Covid-19 – serve como um alerta crucial para a magnitude das perdas econômicas que ainda podem vir a ocorrer. Esta percepção foi articulada recentemente por Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, em nota dirigida a clientes.

Bancos: Europa avalia calor extremo em testes de estresse - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

Segundo Brzeski, há uma tendência de muitos europeus do norte considerarem o problema do calor como algo restrito ao sul do continente. No entanto, ele enfatiza que a região também é profundamente vulnerável, uma vez que sua infraestrutura não foi concebida para suportar esse tipo de condição climática extrema e persistente.

Paralelamente, autoridades nacionais têm intensificado os investimentos em resiliência climática. Contudo, um relatório divulgado na terça-feira pelo Tribunal de Contas Europeu indicou que os países-membros da União Europeia ainda não estão destinando recursos suficientes para tornar suas moradias mais eficientes em termos energéticos. O plano é que os países da UE apliquem mais de €40 bilhões em melhorias habitacionais.

O tribunal aponta que os governos têm privilegiado soluções mais diretas, como a simples troca de janelas. Projetos de implementação mais fácil estão recebendo amplo financiamento em detrimento de reformas estruturais mais profundas. Tais reformas, embora mais complexas e demoradas, teriam o potencial de gerar resultados superiores no longo prazo, observou o órgão. Auditores do Tribunal de Contas Europeu afirmam que, para alcançar suas metas climáticas e energéticas, a Europa necessita de uma focalização mais apurada, maior clareza sobre os resultados esperados e um monitoramento mais intenso das ações.

Diante do cenário, os bancos já começam a adotar novas abordagens. Elvira Calvo, responsável pela transformação sustentável de negócios no BBVA, salientou em entrevista que o calor representa um risco crescente e, muitas vezes, subestimado. O segundo maior banco da Espanha está ajustando a precificação de seus empréstimos corporativos, baseando-se no grau de exposição dos clientes aos impactos físicos do aquecimento global. Este programa deverá ser estendido a clientes de varejo futuramente, conforme informado por Calvo.

Frank Elderson, integrante da diretoria executiva do BCE, destacou em um discurso em 2 de julho que as instituições financeiras estão mais aptas a diferenciar empresas. Emissores significativos de gases de efeito estufa que não apresentem planos concretos de transição já enfrentam condições de crédito menos vantajosas. Contudo, Elderson também afirmou que os bancos precisam avançar ainda mais nesse quesito.

As instituições têm até o dia 10 de julho para responder à proposta metodológica da EBA para o teste de estresse. Por sua vez, em 8 de julho, parlamentares da União Europeia discutirão estratégias para proteger a população contra ondas de calor intensas e incêndios florestais. Os choques de risco de transição, que incluem fatores como o aumento nos preços do carbono, cobrirão um período de três anos a partir de 2027.

Já o cenário de risco físico, com foco em enchentes fluviais, será aplicado exclusivamente para o ano de 2027. Os bancos deverão calcular o impacto esperado desses choques nas probabilidades de inadimplência e nas perdas estimadas. A avaliação será feita em comparação com as médias históricas de calotes e perdas efetivamente registradas. As instituições financeiras também terão de reportar as perdas projetadas tanto em valores brutos quanto líquidos, considerando o efeito de seguros e possíveis atrasos ou insuficiências nos pagamentos de indenizações.

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A inclusão gradual do calor extremo nos testes de estresse reflete uma consciência crescente dos riscos climáticos e a necessidade urgente de fortalecer a resiliência do setor bancário europeu. Manter-se informado sobre esses desenvolvimentos é crucial para entender o futuro da economia no continente. Para aprofundar-se em questões econômicas e seus impactos, visite a seção de Economia de nosso portal.

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Crédito da imagem: PixaBay

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