Fundos de Crédito Privado em Baixa Atraem Caçadores de Ofertas

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Fundos de crédito privado negociados em bolsa, conhecidos como business development companies (BDCs), estão no foco de investidores em busca de oportunidades. Indicadores de mercado recente sinalizam que esses ativos parecem estar sendo negociados a valores abaixo do seu potencial, gerando um ambiente propício para a aquisição por “caçadores de pechincha”.

No mês passado, as avaliações desses fundos alcançaram os patamares mais baixos desde 2022. Essa desvalorização foi impulsionada, em grande parte, pelas apreensões acerca da exposição dos credores a empresas de software, setores que podem ser significativamente impactados por disrupções trazidas pela inteligência artificial (IA). A situação se agravou também com veículos de investimento não listados, que registraram mais de US$ 15 bilhões em pedidos de resgate. Essa dinâmica causou temor entre acionistas no mercado público, mas, ao mesmo tempo, abriu uma janela de oportunidade para certos investidores.

Contudo, a recente demanda contribuiu para impulsionar as avaliações dos BDCs de capital aberto. Atualmente, suas relações preço/valor patrimonial estão se realinhando a níveis mais consistentes com as médias históricas de longo prazo. Um índice representativo de BDCs registrou uma valorização acumulada de aproximadamente 2,4% no mês, até o fechamento da última quinta-feira. Essa recuperação acompanha um movimento mais amplo dos mercados globais, também influenciado pelas expectativas de uma possível solução para o conflito no Irã.

Fundos de Crédito Privado em Baixa Atraem Caçadores de Ofertas

Parte dos investidores foi atraída especificamente pelo desconto implícito. Os próximos dias serão cruciais, pois uma nova leva de informações financeiras, incluindo os balanços das maiores BDCs, pode desencadear tanto compras quanto vendas significativas. A Ares Capital Corp. liderará essa onda de divulgações, com seus resultados programados para 28 de abril. Em sequência, outras BDCs associadas a grandes gestoras como Blue Owl Capital Inc., BlackRock Inc. e Blackstone Inc. apresentarão seus respectivos desempenhos. Os relatórios financeiros dessas instituições de crédito privado serão fundamentais para esclarecer a evolução das perdas de crédito e a flutuação do valor total de seus portfólios.

Perspectivas e Preocupações sobre o Crédito Privado

Chelsea Richardson, analista da Fitch Ratings, manifestou a expectativa de observar “alguma pressão vinda de reduções nos investimentos em software durante o primeiro trimestre”, citando a movimentação dos *spreads* nesse setor. Richardson reforça que, mesmo na ausência de perdas de crédito diretas, as dinâmicas do mercado poderiam resultar em avaliações menores para esses investimentos, impactando negativamente o valor patrimonial líquido (VPL) dos fundos.

Apesar de certas cautelas, muitas BDCs testemunharam uma significativa recuperação no preço de suas ações nas últimas semanas, indicando uma tendência de elevação das avaliações. A Ares Capital Corp., por exemplo, que encerrou março negociada a cerca de 87,5% de seu valor patrimonial, foi observada próxima de 93% na última quinta-feira. Paralelamente, o índice Cliffwater BDC, que se situava em aproximadamente 80,5% do valor patrimonial no fim de março, elevou-se para perto de 86% até o mesmo dia.

Estratégias de Arbitragem e Movimentos de Mercado

Investidores estão examinando de perto uma estratégia que consiste na venda de BDCs não listadas para, em seguida, adquirir veículos listados, capitalizando as diferenças de avaliação entre os dois formatos. Em diversas ocasiões, uma mesma gestora de recursos pode oferecer tanto versões listadas quanto não listadas de fundos de perfil similar, o que facilita essa abordagem.

A distinção operacional é crucial: no contexto das BDCs não listadas, quando um investidor solicita um resgate, o reembolso ocorre com base no valor patrimonial líquido do fundo. No entanto, é comum que o fundo imponha limites sobre o total de saques por trimestre. Já as BDCs listadas são ativamente negociadas em bolsa, o que permite que seus papéis sejam transacionados por valores potencialmente inferiores ao seu valor patrimonial líquido, criando uma assimetria no mercado.

Mike Petro, gestor de portfólio da Putnam Investments e responsável por um ETF focado em BDCs, destaca que essa particularidade gera uma “oportunidade de arbitragem”, onde investidores podem liquidar posições em fundos não listados para adquirir cotas listadas comparáveis com desconto. Petro relata uma evidência direta dessa tendência: “Observamos isso em nosso fundo de BDCs, com investidores declarando que estão liquidando suas posições privadas e comprando os fundos públicos por um custo menor, o que tem resultado em entradas substanciais em nosso fundo”.

Ainda neste cenário, gestores de recursos proeminentes, incluindo Boaz Weinstein, da Saba Capital, manifestaram interesse em comprar cotas de investidores em *business development companies* não listadas, mas a um significativo desconto, indicando a busca por barganhas mais acentuadas.

Cautela no Segmento de Crédito Privado: O Risco do Software

Entretanto, a unanimidade não reina entre os investidores. Nem todos estão convencidos de que este é o momento ideal para comprar. Scott Opsal, diretor de investimentos do Leuthold Group, expressa ceticismo sobre a capacidade de dimensionar a real gravidade das perdas que podem surgir dos empréstimos direcionados ao setor de software nos próximos anos. Estrategistas do Barclays Plc, em um relatório de fevereiro, destacaram que empréstimos a empresas de software constituem cerca de 20% das carteiras de BDCs.

Opsal reforça seu ponto de vista com um alerta direto: “Você não quer tentar pegar uma faca caindo”. Em sua análise, o rendimento oferecido pelas BDCs pode não ser suficiente para compensar a incerteza dos potenciais impactos negativos dos empréstimos a empresas de software. Ele sugere que títulos corporativos *investment grade* ou fundos de títulos de alto rendimento, conhecidos como *junk bonds*, podem apresentar um perfil de rendimento-risco mais favorável no atual ambiente de mercado.

Até o encerramento da última quinta-feira, dados fornecidos pelos índices da Bloomberg mostravam que títulos corporativos *investment grade* nos EUA acumulavam um ganho anual de 0,4%, enquanto os títulos de alto rendimento apresentavam valorização de 1,2%. Em contraste, as BDCs listadas, conforme o índice Cliffwater BDC, registraram uma queda de 7,8% no mesmo período, refletindo a volatilidade do segmento.

Mesmo com certa recuperação nas avaliações das BDCs, o retorno total do crédito privado ainda está aquém do desempenho do S&P 500. As avaliações, apesar da alta recente, permanecem abaixo dos níveis do início do ano. O índice Cliffwater BDC, por exemplo, começou o ano negociando a aproximadamente 94% de seu valor patrimonial líquido, com uma média de cerca de 98% nos últimos cinco anos.

Para um segmento de investidores, essa lacuna representa um potencial de recuperação considerável para as ações. Mike Petro, da Putnam, analisa a situação: “Na ausência de um colapso de mercado catastrófico, este é o movimento de venda fundamental mais intenso que vimos, sem contudo culminar na quebra do mercado. Acredito que houve um exagero na correção observada”. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios e oportunidades no setor financeiro, leia outras análises econômicas em nossa plataforma.

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O mercado de fundos de crédito privado continua a ser um ponto de interesse, alternando entre recuperação e cautela, especialmente em um ambiente econômico global volátil e com inovações tecnológicas. Manter-se informado sobre essas dinâmicas é crucial para qualquer estratégia de investimento na editoria de economia.

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Crédito da imagem: Bloomberg L.P.

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