Turismo no Rio de Janeiro: Recorde de Visitas e Novos Desafios

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O Turismo no Rio de Janeiro atingiu números notáveis neste verão, tornando evidente a presença massiva de visitantes por toda a cidade. É difícil ignorar o cenário de bares e restaurantes transbordando para as calçadas, o incessante movimento de pessoas em edifícios de aluguel por temporada e a multidão de pedestres circulando pelo calçadão de Copacabana. A diversidade de sotaques que ecoa pelas ruas e praias até altas horas confirma que o Rio está repleto de turistas. Contudo, essa efervescência também ilumina os desafios iminentes do setor, motivando especialistas, autoridades, visitantes e moradores a propor soluções para acolher os recém-chegados enquanto se preserva a qualidade de vida dos residentes neste desejado destino.

Dados categóricos revelam um expressivo aumento na afluência de turistas, com especial destaque para o incremento do público internacional. Uma análise conjunta das secretarias municipais de Turismo e de Desenvolvimento Econômico estima a passagem de 5,7 milhões de visitantes, entre nacionais e estrangeiros, pela Cidade Maravilhosa durante o verão. Essa projeção indica um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, solidificando a vocação turística da capital fluminense e impulsionando significativamente sua economia. Adicionalmente, o Aeroporto do Galeão reportou uma movimentação total de 17,8 milhões de passageiros em 2025, marcando um novo recorde para a concessionária do terminal.

Especialistas e representantes governamentais asseguram que, apesar do fluxo intenso, a realidade do Rio ainda não se compara ao fenômeno do “hiperturismo”, observado em metrópoles como Barcelona, na Espanha, e Roma, na Itália. Contudo, as dificuldades vivenciadas nos bairros mais populares da cidade, especialmente nos picos de visitação, servem como um catalisador para o desenvolvimento de novas estratégias.

Turismo no Rio de Janeiro: Recorde de Visitas e Novos Desafios

As propostas que emergem abrangem soluções tecnológicas, aperfeiçoamento dos sistemas de transporte, medidas de ordenamento urbano mais eficientes, reforço da segurança e até a retomada dos postos de atendimento da Riotur na Avenida Atlântica. Tais pontos foram brevemente inaugurados em janeiro de 2024, nos postos de salvamento 2 e 5, mas encerraram suas atividades em abril do ano anterior. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, lamenta não só essa interrupção, mas também o fato de o posto da Riotur na Avenida Princesa Isabel não funcionar aos domingos. Ele aponta, ainda, deficiências na sinalização turística e na fiscalização de vendedores ambulantes irregulares, descrevendo a dinâmica como uma “corrida de gato e rato” em vez de um “trabalho de inteligência”.

As vozes dos moradores se unem às análises de especialistas, oferecendo uma perspectiva local sobre os desafios e oportunidades. Morgana Freitas, residente em Niterói, frequentemente visita Copacabana aos domingos, hospedando-se na casa de seu namorado. Diante das multidões que preenchem a orla nesses dias, ela sugere uma expansão do horário da área de lazer, permitindo que ela funcione até as 21h. Em Ipanema, Ana Luiza Folly compreende o forte apelo que seu bairro exerce sobre os turistas, mas também expressa incômodos. Ela observa a proliferação de bicicletas nas calçadas e a ocupação excessiva de bares que deixam pouco espaço para os pedestres. Folly defende a necessidade de um maior “ordenamento e de educação” para mitigar esses problemas.

Marcelo Freixo, presidente da Embratur, destaca que o turismo é um componente vital, e não um entrave, para o país. Ele salienta que o turismo internacional contribui com 8% do PIB brasileiro e tem um vasto potencial de crescimento. Freixo mencionou um marco recente de 9,3 milhões de visitantes estrangeiros no Brasil em 2025, um número inédito. Contribuindo para essa narrativa, o site oficial do governo brasileiro já indicava o fluxo estrangeiro: Mais de 1.7 milhão de visitantes estrangeiros foram recebidos em jan/fev de 2024, evidenciando o interesse global pelo Brasil. No contexto específico do Rio, Freixo ressalta o desafio da descentralização do turismo. A estratégia não visa retirar o fluxo da Zona Sul, mas sim expandi-lo para outras regiões da cidade e, de maneira crucial, promover o interior do estado como destino, o que pode prolongar a estadia dos visitantes e distribuir as oportunidades econômicas por uma área mais ampla.

Osiris Marques, pesquisador do Observatório do Turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) e presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR), juntamente com Felipe Felix, professor de Turismo do Cefet, corroboram a análise de que o Rio não enfrenta atualmente o chamado “overtourism”. Eles contextualizam a situação mencionando que Barcelona, por exemplo, recebeu 15,6 milhões de turistas em 2024, dos quais 12,9 milhões eram estrangeiros, números significativamente superiores aos do Rio. Marques ressalta que as cenas de praias lotadas no verão carioca não são resultado exclusivo do turismo, mas também do crescente calor, que impulsiona um grande número de moradores da Baixada Fluminense e de outros municípios da Região Metropolitana a frequentarem a orla.

Felipe Felix argumenta que o elevado número de turistas no Rio, apesar de não configurar hiperturismo, evidencia a necessidade de iniciativas inovadoras. Ele propõe a criação de um aplicativo que forneça aos turistas informações em tempo real sobre o volume de visitantes em cada atração, otimizando seus roteiros. Outra sugestão é a implementação de um sistema de monitoramento de fluxo de visitantes, inspirado no modelo de Dubrovnik, na Croácia. Este sistema poderia subsidiar o poder público na identificação de áreas de maior pressão turística, permitindo a adoção de medidas proativas. Quanto à mobilidade, Felix sugere esquemas especiais para metrô e trens em fins de semana ensolarados e feriados de verão para evitar superlotação, além de um plano de contingência para a limpeza urbana nesses períodos. A regulamentação do aluguel por temporada também é crucial, na sua visão, para garantir a segurança dos moradores, estabelecer normas de convivência para os visitantes em edifícios e gerar receita para o município. Felix conclui que, por ora, não vê necessidade de medidas tão radicais como as debatidas em Barcelona, onde se discute a eliminação do Airbnb até 2028.

Ações por parte do governo municipal já estão em curso. Daniela Maia, Secretária Municipal de Turismo, confirmou que as obras para o projeto da Escadaria Selarón terão início em março. As intervenções preveem melhorias na Rua Teotônio Regadas e em parte da Rua Joaquim Silva, na Lapa. Esse emblemático ponto turístico recebeu mais de 1,5 milhão de visitantes (incluindo moradores do Rio) no ano passado. O vice-prefeito Eduardo Cavaliere, por sua vez, destaca iniciativas como a divulgação de um calendário turístico anual pela prefeitura, uma estratégia que busca diminuir a concentração de visitantes no período de verão, promovendo um fluxo mais distribuído ao longo do ano.

Contudo, como em muitos grandes centros turísticos ao redor do mundo, ainda há situações que demandam paciência. Liriel Barboza, carioca que reside em São Paulo, relatou sua experiência ao visitar a cidade neste mês. Em um domingo recente, ela esperou 50 minutos na fila externa do Forte de Copacabana apenas para pegar um número e, em seguida, mais dez minutos para entrar em outra fila de espera, com uma previsão de uma hora até conseguir uma mesa no café. Ela brincou que o que deveria ser um “café da manhã” quase se transformou em “lanche da tarde”, evidenciando a necessidade de aprimoramentos na gestão do fluxo de visitantes em pontos turísticos concorrido.

Apesar dos desafios pontuais, os números reafirmam a posição do Rio como um destino de eleição global. Dados do Observatório do Turismo, da Secretaria Municipal de Turismo, indicam que, dos 12,5 milhões de pessoas que visitaram o Rio no ano anterior, 83,1% eram nacionais, registrando um aumento de 10,5% em comparação com 2023. No entanto, o crescimento mais significativo foi o de turistas internacionais, que subiu 44,8% entre 2024 e 2025. O Píer Mauá ilustra bem essa dinâmica: na temporada de outubro de 2025 a abril de 2026, são esperados 28 navios gigantes, com 21 roteiros estrangeiros, projetando cerca de 240 mil visitantes. Marcello Chagas, gerente de operações do Píer Mauá, enfatiza que a experiência positiva do turista “depende dos que operam serviços de turismo e também do governo”, e que o “basta atender bem é um clichê que precisa ser levado a sério”. A estimativa é que os passageiros dos navios injetem R$ 193,3 milhões na economia local nesta temporada. Jorge Chaves, diretor comercial e de operações da Rede Othon, reforça a importância de planejar antecipadamente os picos de visitação, integrando mobilidade, segurança, limpeza e ordenamento urbano, além de comunicar claramente as ações para datas críticas.

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O Turismo no Rio de Janeiro vive uma fase de recordes e transformações, impulsionado pelo interesse global e pela capacidade inegável da cidade em atrair multidões. Diante de um cenário tão dinâmico, o engajamento contínuo entre setor público, iniciativa privada, especialistas e comunidade local é fundamental para aprimorar a infraestrutura e a experiência oferecida. Para aprofundar-se em questões urbanas e econômicas que impactam grandes cidades, explore nossa categoria Cidades em rarosolutions.com e acompanhe os debates que moldam o futuro dos centros urbanos.

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Crédito da imagem: Thiago Lontra / Agência O Globo

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