O Sistema Cantareira inicia janeiro próximo ao nível considerado crítico, fechando dezembro com apenas 20,18% do volume útil. Esta marca, registrada apesar das precipitações na capital paulista nos últimos dias, representa o ponto mais baixo atingido no ano e situa-se a meros 0,18% acima da Faixa 5, definida como crítica pela Agência Nacional de Águas (ANA). Uma vez que o volume útil caia para menos de 20%, torna-se imperativa a adoção de ações excepcionais e mais rigorosas para assegurar o fornecimento de água, as quais podem abranger o racionamento ou um regime de rodízio na distribuição.
A situação dos reservatórios na região metropolitana de São Paulo, embora classificada como preocupante, não sinaliza um racionamento imediato, conforme esclareceu Natália Resende, secretária do Meio Ambiente do Estado, em entrevista concedida à Rádio Eldorado na última segunda-feira, 29 de dezembro. A tranquilidade decorre, em parte, do desempenho do Sistema Integrado Metropolitano, que inclui o Cantareira e outros seis mananciais, o qual encerrou o mês de dezembro operando com 26,2% de sua capacidade total.
Sistema Cantareira inicia janeiro perto do nível crítico
Dados governamentais indicam que o recente período de calor intenso provocou um aumento significativo no consumo de água, chegando a 60%. Contudo, a influência das chuvas foi crucial para manter a estabilidade dos reservatórios, evitando uma queda ainda maior. Além disso, a estratégia de redução da pressão da água nas residências da Grande São Paulo durante o período noturno, entre 19h e 5h, também contribuiu para essa estabilidade. Apesar das medidas, relatos de escassez hídrica persistem em diversas localidades da capital.
Uma nota técnica conjunta, divulgada na quarta-feira, 31 de dezembro, pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pela Agência das Bacias PCJ (SP-Águas), estabelece que o Sistema Cantareira permanecerá em operação sob a Faixa 4 – Restrição durante o mês de janeiro. Esta condição permite à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) retirar até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s) de água do Cantareira. Adicionalmente, a concessionária tem a prerrogativa de utilizar a vazão transposta do reservatório Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, que pode adicionar até 6 m³/s ao sistema.
No comunicado, as autoridades responsáveis pela gestão hídrica reiteraram a importância vital da Sabesp implementar medidas operacionais focadas na gestão da demanda. Tal prática, no âmbito dos serviços de abastecimento de água, é fundamental para preservar os volumes hídricos do reservatório. A nota também aponta que o volume útil do Cantareira sofreu uma diminuição ao longo de dezembro, um mês que historicamente costuma apresentar uma recuperação dos reservatórios devido ao aumento das chuvas. Em 30 de novembro, o volume era de 20,99%, evidenciando um declínio de aproximadamente 0,81% em um mês. O período de chuvas é previsto para se estender até maio de 2026, porém, as precipitações registradas até o momento encontram-se abaixo da média esperada.
As faixas operacionais do Sistema Cantareira
O Sistema Cantareira opera através de um regime de faixas, estabelecido para orientar as ações de gestão em função do volume útil acumulado no último dia de cada mês. Essa classificação define as permissões de captação e as medidas que podem ser adotadas para garantir a segurança hídrica da região. A Agência Nacional de Águas (ANA) detalha essas faixas de maneira rigorosa para o acompanhamento público, conforme suas normativas e publicações sobre critérios técnicos para o uso da água.
Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
- Faixa 1: Normal – Ativada quando o volume útil acumulado é igual ou superior a 60%. Nesta faixa, é permitida a captação máxima autorizada, que historicamente alcançou até 31 m³/s, embora a outorga atual estabeleça um limite máximo de 27 m³/s.
- Faixa 2: Atenção – Caracterizada por um volume útil acumulado entre 40% e 60%. Nesta etapa, a captação de água pela Sabesp é reduzida, e pode ser necessária a implementação de medidas de gestão da demanda para controlar o consumo.
- Faixa 3: Alerta – Ativada quando o volume útil acumulado varia entre 30% e 40%. Esta faixa impõe restrições mais severas à operação do sistema e à captação, podendo inclusive envolver a redução da pressão da água na rede de distribuição para economizar recursos.
- Faixa 4: Restrição – Entra em vigor com um volume útil acumulado abaixo de 30%. A captação de água é ainda mais limitada, e frequentemente torna-se necessário recorrer ao uso de volume adicional proveniente da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, garantindo a complementação do abastecimento.
- Faixa 5: Especial (Crítica) – É a faixa de operação mais grave, acionada quando o volume útil acumulado fica abaixo de 20%. Exige a tomada de medidas excepcionais e mais drásticas para assegurar o abastecimento à população e manter as vazões mínimas nos mananciais afetados, minimizando impactos ambientais.
A gestão diária do Sistema Cantareira é uma responsabilidade compartilhada entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência das Águas do Estado de São Paulo (SP-Águas). Ambas as instituições monitoram constantemente dados de níveis, vazões e armazenamento, essenciais para embasar decisões operacionais e estratégias de preservação hídrica. O Cantareira tem uma função vital, pois abastece aproximadamente a metade da população da região metropolitana de São Paulo e é crucial para o atendimento de múltiplos usos da água, incluindo o fornecimento para Campinas e outras cidades nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Este sistema é uma complexa infraestrutura composta por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com um volume útil total de impressionantes 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o sistema foi aprimorado com a interligação entre a represa Jaguari (integrada ao rio Paraíba do Sul) e a represa Atibainha, um projeto que visa ampliar significativamente a segurança hídrica para a região metropolitana da capital, reforçando a capacidade de resposta diante de cenários de escassez.
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Aproximando-se do nível crítico no início de janeiro, o Sistema Cantareira evidencia a fragilidade do abastecimento hídrico em São Paulo, apesar das chuvas recentes. A vigilância e a gestão eficiente dos órgãos reguladores, em conjunto com as medidas operacionais da Sabesp, serão cruciais para evitar um cenário de crise e garantir que as necessidades de água da população sejam atendidas de forma sustentável. Continue acompanhando as atualizações sobre a situação hídrica na nossa editoria de Cidades.
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