**Protesto de Agricultores na Polônia Contra Acordo Mercosul-UE**
Produtores rurais da Polônia intensificaram seus esforços em Varsóvia nesta sexta-feira (9) através de um **protesto de agricultores na Polônia**, manifestando oposição ao acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado, resultado de mais de duas décadas de negociações, gerou receios significativos entre os trabalhadores do campo do bloco europeu.
As mobilizações dos produtores rurais poloneses já haviam escalado dias antes, culminando no bloqueio da fronteira de Medyka, situada no sudeste do país, que resultou na interrupção de uma crucial via de comércio terrestre. A paralisação foi suspensa somente após o governo polonês se comprometer publicamente a votar contra a implementação do acordo com o Mercosul, sinalizando a seriedade das demandas dos agricultores.
A inquietação se solidificou em uma manifestação na Praça Plac Defilad, no coração da capital polonesa, que contou com a prévia reunião entre o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, e representantes das entidades rurais organizadoras do movimento. Esse diálogo antecipou a firme posição do governo em apoio às reivindicações locais, ecoando o compromisso de rejeição ao tratado, em resposta direta ao
Protesto de Agricultores na Polônia Contra Acordo Mercosul-UE
. A resistência reflete um temor disseminado de que o pacto abra as portas para a entrada de produtos agrícolas mais baratos e com normas sanitárias potencialmente menos rigorosas, o que representaria uma ameaça à subsistência dos agricultores locais.
Manifestações na Capital Polonesa e Compromissos Governamentais
O ministro da Agricultura polonês, Czeslaw Siekierski, esteve pessoalmente no local dos protestos, dialogando com os manifestantes. Posteriormente, através de uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), Siekierski reiterou que a oposição ao acordo seria formalizada como a posição oficial tanto do governo quanto do Parlamento. “Mantemos nossa oposição inquestionável ao tratado com o Mercosul, como exigem os agricultores”, declarou, sublinhando a preocupação com a possível invasão de produtos agrícolas a preços mais baixos e com padrões sanitários que, segundo os produtores, poderiam ser menos exigentes, afetando negativamente a competitividade dos agricultores poloneses.
Entenda o Acordo Comercial UE-Mercosul e Suas Controvérsias
O acordo entre União Europeia e Mercosul, cujas negociações foram iniciadas em 1999 e reativadas politicamente no final de 2024, é visto como um pilar para a criação da maior área de livre-comércio global, englobando aproximadamente 700 milhões de pessoas. A aprovação da maioria dos Estados-membros ocorreu após semanas de intensa pressão política e protestos rurais em diversos países europeus. A validação oficial por embaixadores em Bruxelas, conforme relatos de diplomatas a agências internacionais, só foi possível com a inclusão de mecanismos de salvaguarda direcionados ao setor agrícola, uma demanda central das críticas ao pacto. O texto, contudo, ainda requer aprovação do Parlamento Europeu para sua plena efetividade.
Os fazendeiros na Polônia argumentam que o tratado pode acarretar um volume substancial de alimentos mais acessíveis nos mercados polonês e europeu, potencialmente prejudicando a competitividade e a rentabilidade da produção agrícola local. Esta apreensão não se restringe à Polônia, sendo compartilhada por setores rurais de outros membros da União Europeia, que identificam o acordo como um fator de risco para cadeias agrícolas consideradas economicamente sensíveis.
Aprovação do Acordo e a Inclusão de Salvaguardas
A decisão em favor da aprovação do acordo foi precedida por um período de manifestações veementes, principalmente na França e na Polônia, que trouxeram à tona o custo político do tratado dentro da União Europeia. Em Paris, sindicatos de produtores rurais realizaram marchas com tratores em locais emblemáticos, como o Arco do Triunfo e as proximidades da Torre Eiffel. Confrontos com as forças policiais foram registrados, acompanhados de bloqueios em vias estratégicas e hostilidade a figuras políticas. A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, chegou a ser evacuada por seguranças após vaias e lançamento de líquidos pelos manifestantes.
O ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot, revelou que os bloqueios resultaram em aproximadamente 150 quilômetros de congestionamentos nas rodovias que dão acesso à capital francesa. Diante da crescente intensidade dos protestos, a Comissão Europeia introduziu concessões a fim de garantir o apoio necessário para a aprovação do acordo. Essas medidas incluem a antecipação de 45 bilhões de euros em recursos destinados aos agricultores no próximo orçamento do bloco e a diminuição de tarifas de importação sobre certas categorias de fertilizantes.
O Papel Crucial da Itália e a Dinâmica dos Votos
A Itália desempenhou uma função estratégica nas negociações das cláusulas de salvaguarda. O ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, defendeu a implementação de critérios mais rigorosos para a suspensão automática de importações de produtos agrícolas do Mercosul. A Itália pressionou com sucesso pela redução do limite que aciona essas cláusulas, de 8% para 5%, em situações de aumento excessivo das importações ou queda significativa de preços no mercado europeu. “Queremos que esse limite de 8% seja reduzido para 5%”, afirmou Lollobrigida ao jornal Il Sole 24 Ore, evidenciando o comprometimento italiano com a proteção dos agricultores europeus.
Essas salvaguardas se mostraram determinantes para a formação de uma maioria entre os 27 Estados-membros, mesmo diante de votos contrários de países como França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda. A Bélgica, por sua vez, optou pela abstenção, demonstrando a complexidade das discussões em torno do tema.
A Posição Francesa e os Efeitos Diplomáticos
A França, que se destacou como o principal articulador da resistência ao acordo, encontrou-se isolada no decorrer do processo de votação. O renomado jornal Le Monde publicou um editorial contundente, criticando a estratégia adotada pelo governo de Emmanuel Macron. O editorial argumentou que Paris havia se apegado a um discurso excessivamente defensivo do setor agrícola, desperdiçando a oportunidade de influenciar o formato final do tratado.
Segundo a análise do Le Monde, a decisão da Itália de apoiar o acordo inviabilizou a constituição de uma minoria de bloqueio eficaz, expondo a França a um considerável revés diplomático, visto que Macron havia se comprometido publicamente a não ratificar o texto. O periódico ainda alertou para o risco de que a maneira como o tema foi conduzido pudesse reforçar, na opinião pública francesa, a percepção de impotência política, especialmente em um momento de fragilidade interna no país. A Irlanda, formalizando sua adesão ao grupo opositor, reiterou, através do vice-primeiro-ministro Simon Harris, que não apoiava o acordo em sua formulação atual, apesar das concessões adicionais, mencionando persistentes inquietações acerca do impacto sobre seu próprio setor agropecuário.
Para entender mais sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o bloco sul-americano, você pode acessar informações relevantes sobre o Mercosul em fontes oficiais.
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Este cenário complexo de negociações e **protesto de agricultores na Polônia** contra o acordo Mercosul-União Europeia reflete as tensões entre interesses econômicos e sociais no continente. Continue acompanhando as atualizações na nossa editoria de Política para mais análises e desenvolvimentos sobre este e outros temas relevantes.
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