A política fluminense observa uma significativa reconfiguração de forças na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Com o encerramento da janela partidária, período de migração de parlamentares, o partido do deputado Douglas Ruas, o PL Alerj, fortalece apoio a Ruas ao expandir consideravelmente sua bancada. Simultaneamente, o PSD, ligado ao prefeito Eduardo Paes, também registrou ganhos, estabelecendo um cenário de expectativa para as próximas decisões judiciais que podem nivelar a acirrada disputa sucessória do estado do Rio de Janeiro.
As movimentações partidárias pós-janela solidificaram uma maioria preliminar favorável a Douglas Ruas dentro da Alerj. Contudo, o grupo de Paes mantém a esperança de que sentenças vindouras da Justiça do Rio e do Supremo Tribunal Federal (STF), com expectativa de divulgação nesta semana, sobre as normativas eleitorais em vigor, alterem o panorama da corrida. O PSD tem articulado propostas de candidaturas para rivalizar com o PL na disputa pela presidência da Alerj e, possivelmente, por um governo-tampão.
PL Alerj Fortalece Apoio a Ruas e Amplia Bancada Pós-Janela
De forma reservada, os estrategistas próximos ao ex-prefeito do Rio avaliam que a competitividade do seu grupo seria significativamente elevada caso as decisões judiciais prevejam o voto secreto para a eleição interna da Assembleia ou se a escolha do governador se der por voto popular direto. A frente liderada por Douglas Ruas concentra sua força no PL, que é apoiado por legendas aliadas como o União Brasil e o PP. Conjuntamente, este bloco de partidos detém atualmente 33 cadeiras entre os deputados estaduais, ficando a apenas três votos da margem necessária para assumir a presidência da Alerj e, em caso de eleição indireta, conduzir o governador-tampão.
Antes da recente janela partidária, o bloco que sustenta Douglas Ruas na Alerj somava 32 parlamentares. O PL, de maneira isolada, experimentou um notável crescimento, passando de 18 para 22 deputados na Alerj. Tal expansão incluiu a adesão de nomes expressivos que inicialmente negociavam com o grupo de Eduardo Paes, como o deputado estadual Chico Machado, ex-Solidariedade, que agora integra a bancada do PL. Este aumento é crucial para as ambições políticas de Ruas.
É imperativo contextualizar a vacância atual no governo estadual e na própria Alerj. O ex-governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo em 23 de março. Segundo a linha sucessória estabelecida, o presidente da Alerj é o responsável por assumir o governo nessas circunstâncias. Atualmente, com o posto de presidente da Assembleia Legislativa também vago, quem exerce interinamente a governadoria é o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. A escolha de um novo presidente para a Alerj, portanto, assume caráter central na gestão do estado.
Estratégia do PSD e Alianças Políticas
Do outro lado do tabuleiro político, o PSD, sigla de Eduardo Paes, também fortaleceu sua posição. O partido saltou de seis para dez deputados estaduais, impulsionando suas articulações na corrida pelo controle da Alerj. Eduardo Paes tem orquestrado uma ampla coalizão que inclui o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Essa aliança ambiciona angariar ao menos 20 votos para enfrentar Douglas Ruas na eleição pela presidência da Assembleia.
Entre os nomes cogitados para encabeçar a disputa pelo comando da Alerj, em representação do grupo de Paes, estão os deputados Rosenverg Reis (MDB) e Vitor Junior (PDT). Em uma declaração incisiva, Rosenverg Reis criticou o inexperiência de Douglas Ruas ao afirmar: “Estamos esperando a decisão do Eduardo Paes, que é quem vai arrumar esse tabuleiro. Não podemos deixar a Alerj na mão de um neófito”, em alusão ao fato de Ruas estar em seu primeiro mandato como deputado estadual. A expectativa é que essa eleição para a Alerj ocorra após a próxima terça-feira, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) oficializará a nova configuração da Casa.
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A definição da composição parlamentar ocorre sem a presença de seu ex-presidente, Rodrigo Bacellar (União), cujo mandato foi cassado por crime eleitoral. Bacellar também se encontra detido, sob investigação de supostas conexões com facções criminosas. Vale lembrar que a Justiça do Rio de Janeiro havia anulado, há aproximadamente duas semanas, uma eleição apressada para a presidência da Alerj, que resultou na vitória de Ruas com o apoio de 45 deputados. Naquela ocasião, a desembargadora Suely Lopes Magalhães determinou que era necessário aguardar a retotalização das cadeiras da Alerj, processo concluído pela Justiça Eleitoral na semana passada. Esse ajuste, inclusive, concedeu uma vaga adicional ao PL, ocupando a posição anteriormente pertencente a Bacellar.
A ação judicial que resultou na anulação da eleição da Alerj foi um mandado de segurança protocolado pelo PDT, o mesmo partido de Vitor Junior. A legenda também ingressou com uma segunda ação junto à Justiça fluminense na semana passada, buscando a imposição de voto secreto para a eleição da presidência da Alerj. Em resposta a este pedido, a desembargadora Suely Lopes Magalhães, que também atua como relatora desta ação, notificou a Alerj e o governo do Rio para que apresentem suas manifestações sobre o pleito do PDT. As resoluções judiciais sobre tais regras eleitorais podem alterar o curso da disputa, como exemplificado pelas normas que pautam os pleitos. Mais informações sobre as diretrizes podem ser encontradas em portais oficiais como o Tribunal Superior Eleitoral.
Apesar de ter conseguido ampliar sua aliança partidária, Eduardo Paes tem se dedicado a blindar seu grupo contra possíveis “traições”. Na eleição anulada à presidência da Alerj, verificou-se que dois deputados do PSD votaram em favor de Douglas Ruas. Além disso, três dos quatro parlamentares que recém-filiaram-se ao seu partido também direcionaram seus votos a Ruas naquela circunstância. Outra investida do PSD tem sido a busca pelo apoio do PSOL, que detém cinco cadeiras na Assembleia. Embora o PSOL almeje lançar uma candidatura própria à presidência da Alerj, a meta de Paes é assegurar um apoio da bancada psolista em um eventual segundo turno da disputa.
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Em suma, a dinâmica política na Alerj está mais aquecida do que nunca. A expansão da bancada do PL, solidificando o **PL Alerj fortalece apoio Ruas**, posiciona o deputado como uma figura central. Contudo, as articulações do PSD, juntamente com a expectativa de decisões judiciais cruciais, mantêm a incerteza sobre o desfecho da eleição. Acompanhe nossa editoria de Política em Rarosolutions para ficar por dentro dos próximos capítulos dessa intensa disputa eleitoral no Rio de Janeiro e de outros temas relevantes.
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