A Petrobras intensificou a comercialização de fertilizantes nitrogenados, disponibilizando os produtos de suas unidades no Nordeste a consumidores em diversas localidades do Brasil. Essa estratégia busca minimizar os desafios de suprimento para o país em meio a um cenário de instabilidade no Oriente Médio, uma região crucial que contribuiu com aproximadamente 35% do fornecimento externo de ureia para o Brasil no ano de 2025.
De acordo com informações fornecidas pela companhia, as fábricas situadas na Bahia e em Sergipe, que reativaram suas operações recentemente, já operam com uma capacidade próxima a 90%. Essas instalações combinadas possuem potencial para suprir 12% da demanda nacional de ureia, um componente vital para a agricultura brasileira, que atualmente depende significativamente das importações para atender às suas necessidades.
Petrobras Acelera Venda de Fertilizantes e Reduz Riscos
Os fertilizantes, incluindo a ureia, estão sendo distribuídos pela Petrobras em modalidades a granel e em big bags para uma vasta clientela em estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Adicionalmente, a amônia produzida pela estatal é prioritariamente direcionada ao polo petroquímico de Camaçari, na Bahia, e a outros clientes estratégicos na região. Antes de retornar ao controle da empresa estatal no último ano, essas unidades fabris estavam sob arrendamento da Unigel, permanecendo inativas desde 2023 por conta de dificuldades financeiras enfrentadas pela arrendatária.
O retorno das operações da Petrobras assume particular relevância frente às recentes ameaças do governo iraniano de intervir na navegação de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Essa passagem marítima, localizada entre Omã e o Irã, é um ponto estratégico que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, consequentemente, ao Mar Arábico, sendo a rota de cerca de 20% do volume global de petróleo bruto consumido, o que gera incertezas para os fluxos comerciais internacionais.
Tomás Pernias, analista de inteligência de mercado da StoneX, em comentário à Reuters, ressaltou que o crescimento da produção nacional de ureia pode funcionar como um amortecedor contra choques externos. A iniciativa contribui para reduzir parte das incertezas presentes no mercado de fertilizantes nitrogenados, especialmente dada a grande dependência brasileira das importações desses insumos.
Contudo, Pernias salientou que o Brasil persistirá na dependência de fertilizantes importados. Dessa forma, eventos que possam comprometer o fluxo comercial global de nitrogenados, como as tensões geopolíticas, provavelmente continuarão a ser fatores preponderantes na definição dos preços dos fertilizantes em solo brasileiro, impactando diretamente o setor agrícola.
A reativação das fábricas da Petrobras é um fator decisivo na atenuação de potenciais riscos relacionados ao abastecimento de fertilizantes, principalmente após os ataques que envolveram os Estados Unidos, Israel e o Irã. Essas hostilidades, que se iniciaram recentemente, já causam interrupções nos padrões de comércio globais, demandando estratégias de mitigação para proteger setores essenciais.
No ano de 2025, dados oficiais governamentais indicam que o Brasil importou aproximadamente 7,7 milhões de toneladas de ureia, com apenas cerca de 2% desse total provindo do Irã. Ao se considerar o conjunto de países do Oriente Médio, que incluem Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, as compras brasileiras de ureia somaram cerca de 2,7 milhões de toneladas no mesmo período, evidenciando a concentração das importações brasileiras.
Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado da Agrinvest Commodities, expressou preocupações com a crescente instabilidade do mercado. Ele destacou que o poder de compra do produtor rural já apresentava fragilidade mesmo antes da escalada do novo conflito, devido a uma relação de troca desfavorável entre o milho e os fertilizantes, em especial a ureia.
Imagem: infomoney.com.br
O especialista alertou que as incertezas se acentuaram, tornando o cenário atual mais complexo do que aquele observado em 2022, no início do conflito na Ucrânia. Naquele momento, apesar da guerra, os preços das commodities agrícolas estavam mais elevados, e havia maior acesso a crédito, proporcionando uma margem de manobra superior aos agricultores.
Especificamente na fábrica de Sergipe, a produção teve início em dezembro de 2025 e já alcança 90% de sua capacidade máxima, o que equivale a 1.250 toneladas por dia (t/d) de amônia e 1.800 t/d de ureia. A planta da Bahia, por sua vez, retomou as atividades em meados de janeiro, superando 95% de sua capacidade de produção de ureia, correspondendo a cerca de 1.300 t/d do produto. A reativação dessas plantas foi uma determinação expressa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o intuito de diminuir a dependência brasileira de insumos externos para o agronegócio.
A Petrobras possui planos de expandir ainda mais sua atuação no segmento de fertilizantes, projetando atender a um total de 20% da demanda nacional de ureia com a retomada das operações da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), localizada no Paraná. A meta é alcançar 35% com a ativação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), no Mato Grosso do Sul, em projetos a serem concretizados nos próximos anos, conforme o avanço de cada empreendimento.
A Ansa, que tem sua reabertura operacional programada para o primeiro trimestre de 2026, abriu recentemente um processo seletivo para preencher 126 vagas de níveis superior e médio. Essa medida visa fortalecer o quadro de funcionários e avançar no planejamento de sua reativação, conforme comunicado pela Petrobras. A unidade paranaense tem uma capacidade instalada de produzir 720 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia anualmente.
No que concerne ao Mato Grosso do Sul, o projeto da UFN-3, na cidade de Três Lagoas, encontra-se na etapa de contratação de serviços para a finalização da fábrica. A expectativa é que a aprovação final dos investimentos ocorra no primeiro semestre de 2026, possibilitando que a retomada das obras da planta aconteça ainda no decorrer deste ano, informou a Petrobras, marcando um importante avanço na segurança agrícola nacional. A retomada da produção de fertilizantes e os investimentos contínuos nesse setor representam um pilar essencial para a soberania alimentar e econômica do país, demonstrando o engajamento da Petrobras em um mercado estratégico para o agronegócio global.
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Em suma, as ações da Petrobras no segmento de fertilizantes demonstram um movimento estratégico para mitigar a dependência externa e fortalecer a produção nacional, elementos cruciais diante das instabilidades globais. Essa expansão visa garantir a segurança de suprimentos e estabilizar o mercado, mesmo com os desafios econômicos enfrentados pelos produtores. Para acompanhar mais sobre as políticas e investimentos que impactam a economia e o desenvolvimento do país, continue em nossa editoria de Economia, onde análises aprofundadas e as últimas notícias são constantemente atualizadas.
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Crédito da imagem: Reuters