Juros Futuros Despencam por Alívio Geopolítico e Eleitoral

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Os **juros futuros** negociados na bolsa brasileira, a B3, experimentaram uma acentuada queda durante o pregão da quarta-feira, 21 de fevereiro. Essa movimentação positiva foi impulsionada por uma combinação de fatores externos e internos, que levaram à renovação das mínimas em todas as faixas da curva de juros. A desvalorização do dólar frente ao real também contribuiu para o cenário, revertendo parte do estresse observado no mercado de renda fixa global.

No cenário internacional, declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geraram um forte alívio nas tensões geopolíticas. Em território nacional, a divulgação de uma pesquisa eleitoral com novas perspectivas sobre o pleito presidencial de 2026, com foco na figura de Flávio Bolsonaro, adicionou um elemento de precificação ao mercado.

Juros Futuros Despencam por Alívio Geopolítico e Eleitoral

O efeito conjunto desses fatores, aliados ao fechamento da curva dos Treasuries americanos e a uma percepção positiva do mercado quanto à chance de uma candidatura à Presidência mais alinhada com um ajuste fiscal, proporcionou o ambiente para que os contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) pudessem desabar. As taxas foram sensivelmente impactadas ao longo do dia 21, evidenciando a resposta dos investidores a um clima de menor risco e maior previsibilidade em ambas as frentes.

Movimento das Taxas Futuras na B3

O dia registrou declínios notáveis nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro. O DI com vencimento em janeiro de 2027 viu sua taxa recuar de 13,793% no ajuste do dia anterior para uma mínima intradia de 13,725%. Da mesma forma, o contrato para janeiro de 2029 apresentou queda para 13,12%, partindo de um ajuste de 13,238%. Para o DI de janeiro de 2031, a taxa cedeu de 13,57% para 13,455%, consolidando o movimento de desvalorização dos juros futuros em todos os prazos acompanhados pela B3.

Alívio no Cenário Geopolítico Global

Um dos eventos mais aguardados da jornada foi o discurso de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Apesar de Trump ter reiterado ameaças tarifárias contra oito nações europeias, o tom foi menos agressivo do que o esperado. O ponto central para o mercado foi a afirmação de que não empregaria força para tentar adquirir o controle da Groenlândia, território dinamarquês que tem sido alvo de cobiça americana. Mais tarde, por volta das 16h30, o ex-presidente detalhou, em uma postagem na Truth Social, a existência de um “acordo futuro” em estruturação que envolve a ilha e a região do Ártico.

Sem especificar os detalhes do acordo, Trump comunicou que a resolução beneficia os termos dos Estados Unidos e da OTAN e que, como parte desse entendimento, as tarifas contra a Europa, previamente programadas para entrar em vigor no próximo mês, seriam suspensas. Imediatamente após a publicação, tanto os rendimentos dos Treasuries quanto os juros futuros brasileiros registraram as menores taxas da sessão, refletindo o sentimento de descompressão dos mercados globais. Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, pontuou que as declarações do republicano foram “benignas para o sentimento de risco global”, especialmente após o aumento recente das tensões geopolíticas. Lima observou o impacto direto não apenas nos juros, mas também na dinâmica do dólar contra o real e outras moedas. Ele ressalvou, contudo, que a questão da Groenlândia ainda poderia gerar instabilidade, dado o interesse persistente de Trump na ilha.

Impacto da Pesquisa Eleitoral Nacional

Além do front externo, o cenário doméstico também contribuiu para a queda dos juros futuros. A pesquisa eleitoral da AtlasIntel, divulgada na mesma quarta-feira, serviu como um fator adicional de descompressão nas taxas futuras, embora sua relevância comparativa ao cenário geopolítico não possa ser precisamente mensurada. Nas simulações de primeiro turno apresentadas pela enquete, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a liderança, com intenções de voto variando entre 48% e 49% dos entrevistados.

Entretanto, a melhora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas projeções de segundo turno foi o que chamou a atenção do mercado financeiro. Enquanto em dezembro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro era a escolha de 41% dos eleitores contra 53% para Lula – uma diferença de 12 pontos –, a edição atual da pesquisa aponta uma redução para 4 pontos percentuais, com 45% para Flávio e 49% para o petista. A equipe econômica da BuysideBrazil destacou que essa pesquisa “consolida Flávio como o candidato de direita mais provável”, embora com a observação de que ele ainda não foi alvo de ataques da esquerda, em parte por ser considerado um adversário com alta taxa de rejeição e menos competitivo contra Lula.

Com cerca de dez meses para a eleição presidencial, a percepção no mercado é que a diferença de quatro pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro pode ser superada, conforme analisa Gean Lima da Connex. Segundo ele, os agentes financeiros veem o senador como um “possível candidato apto a enfrentar Lula” e, crucially, como alguém “mais alinhado a um esperado ajuste nas contas públicas”, uma pauta que o próprio Flávio Bolsonaro já indicou em conversas com empresários para sua campanha. As decisões de política monetária e a movimentação dos juros futuros podem ser influenciadas pela dinâmica política e econômica nacional e internacional, aprofundando a discussão sobre as expectativas de investidores na B3.

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A recente queda dos juros futuros, catalisada tanto pelo desanuviar de tensões geopolíticas com as declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia quanto pela nova fotografia do cenário eleitoral brasileiro envolvendo Flávio Bolsonaro, reforça a interconexão entre eventos globais, política interna e a dinâmica do mercado financeiro. Para acompanhar outras análises e notícias relevantes que impactam a economia, convidamos você a continuar navegando em nossa editoria de Economia.

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Crédito da imagem: Thiago Santos

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