O cenário político para a eleição de 2026 já evidencia sinais de fragmentação. Apoio a Flávio Bolsonaro na Direita para a Presidência se mostra dividido, conforme declarações do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, nesta sexta-feira. Ele voltou a defender abertamente a postulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto, enquanto apontou que o consenso em torno do filho do ex-presidente ainda está distante.
Ao manifestar sua escolha individual, Pereira destacou a competência de Tarcísio, ressaltando sua postura “mais ao Centro” e “mais equilibrada”. “Se eu pudesse escolher individualmente [seria Tarcísio], e a minha escolha pessoal nem é porque o Tarcísio é membro do Republicanos. É porque ele é competente. Ele é mais ao Centro. Mais equilibrado. Sem dúvida meu candidato seria o Tarcísio”, afirmou o líder do Republicanos durante entrevista à Jovem Pan.
Divisão na Direita sobre Apoio a Flávio Bolsonaro à Presidência
Pereira, em sua análise, não considera a questão do apoio ao senador do PL como um tema encerrado. Ele lembrou que outros nomes de relevo na direita têm manifestado a intenção de disputar o cargo. Entre as alternativas mencionadas, estão os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR), indicando um panorama de múltiplas possibilidades. “Agora, quando se diz que a direita fecha com Flávio Bolsonaro, por enquanto não está tudo certo ainda. O Caiado tem dito que vai ser candidato, Zema e Ratinho também. Não acho que está fechado. Pelo contrário, está dividido”, sentenciou Pereira.
Marcos Pereira Rebate Críticas de Eduardo Bolsonaro
O presidente do Republicanos também abordou a controvérsia gerada pelas declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que teria se referido a Tarcísio de Freitas como “apenas um servidor” em entrevista ao Jornal da Razão na quinta-feira. Marcos Pereira criticou veementemente a fala, classificando-a como “extremamente deselegante e arrogante”. Em resposta, Pereira lembrou a posição de Eduardo como escrivão da Polícia Federal, afirmando ainda que o ex-parlamentar estaria foragido nos Estados Unidos, em uma crítica direta ao membro do PL.
Tarcísio Esclarece Ausência em Visita e Nega Pressão
Na mesma sexta-feira, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) explicou sua ausência em uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), popularmente conhecido como “capitão reformado na Papudinha”, justificando-a por “razão pessoal” e alegando questões de agenda. Tarcísio refutou publicamente a ideia de que tenha sido pressionado por Flávio Bolsonaro a demonstrar apoio à sua pré-candidatura à presidência da República. Ao ser questionado sobre a desconfiança de setores bolsonaristas e a cobrança por posicionamentos mais explícitos durante um evento de entrega de moradias populares em Embu das Artes, na Grande São Paulo, Tarcísio se mostrou firme: “Mais enfático do que isso?”, reagiu, referindo-se à postura que tem adotado. Ele enfatizou a normalização das dinâmicas políticas: “Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro, não vai ter problema nenhum com relação a isso. Acho que, com o tempo, as coisas vão se acomodando. Isso é absolutamente normal. Tenho certeza que teremos uma candidatura muito competitiva”, projetou o governador paulista.
As declarações públicas do governador, que rebatem relatos de seu interesse em um voo mais alto, têm mantido a linha de sua intenção de concorrer à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, posto que ocupa em São Paulo. Contudo, informações apuradas pelo jornal O GLOBO, baseadas em conversas com aliados próximos, sugerem que Tarcísio teria se entusiasmado com a possibilidade de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas em 2026, chegando a autorizar movimentos de articulação para esse fim. O governador classificou tais relatos de O GLOBO como “especulações”.
Resistência Evangélica: Obstáculo à Candidatura de Flávio Bolsonaro
A corrida presidencial para Flávio Bolsonaro também encontra empecilhos significativos no meio evangélico, um pilar fundamental de apoio à direita no Brasil. Conforme revelado pelo GLOBO, embora pastores influentes recebam Flávio, aceitem diálogos reservados e mantenham canais abertos, há uma notável reticência em manifestar qualquer tipo de endosso público à sua potencial candidatura, o que poderia ser interpretado como antecipação da sucessão.
No segmento evangélico, a percepção corrente é que o senador ainda não possui a “densidade política” suficiente para assumir a liderança do campo conservador em 2026. Essa avaliação tem criado obstáculos à sua tentativa de se posicionar como herdeiro natural da direita, enfrentando uma resistência notória. Flávio Bolsonaro foi procurado para comentar o assunto, mas não se manifestou, conforme a publicação.
Imagem: infomoney.com.br
Paralelamente a essa resistência, emerge nos bastidores uma proposta alternativa que ganha força no meio evangélico: uma chapa presidencial composta por Tarcísio de Freitas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice. Essa combinação é considerada eleitoralmente mais robusta, com maior potencial para mobilizar diversos segmentos do eleitorado, funcionando como um fator de contenção adicional ao avanço da aspiração presidencial de Flávio. Mais informações sobre as movimentações políticas podem ser encontradas em portais de análises políticas nacionais, que acompanham de perto os pré-candidatos.
Tentativas de Flávio Bolsonaro de Articular Apoio Evangélico Não Prosperam
Flávio Bolsonaro tem tentado, ativamente, estabelecer e fortalecer laços com lideranças evangélicas estratégicas. O primeiro a ser abordado foi o pastor Silas Malafaia. De acordo com interlocutores, o senador contatou o influente líder religioso com o objetivo de organizar um jantar e formalizar um canal de comunicação. No entanto, a iniciativa não avançou como esperado. Entre os aliados, a percepção é que Malafaia se mostrou receptivo para o diálogo, mas cuidadosamente evitou qualquer demonstração que pudesse ser interpretada como um apoio explícito à candidatura.
Outras tentativas de aproximação se sucederam, buscando envolver outras personalidades e denominações influentes. Flávio Bolsonaro procurou estabelecer contato com o pastor Samuel Ferreira, presidente da Assembleia de Deus Madureira, e buscou construir pontes com pastores associados à Universal do Reino de Deus. A estratégia era utilizar essas conexões como atalhos para alcançar denominações com vasta capilaridade nacional e expressiva capacidade de mobilização em diversas regiões. Contudo, essas agendas também enfrentaram impasses. Um dos aliados do senador resumiu o resultado dessas investidas como “acolhimento sem adesão”: há disposição para atender, conversar e manter portas abertas, mas sem engajamento ativo no projeto político.
Confira também: meusegredoblog
Em suma, a disputa pela candidatura à presidência na direita para 2026 demonstra um cenário complexo e com múltiplas vertentes. As divergências e o surgimento de candidaturas alternativas, somados à resistência de setores estratégicos como o evangélico, apontam para uma eleição com forte polarização e imprevisibilidade. Para acompanhar todas as atualizações sobre o panorama eleitoral brasileiro e as principais movimentações partidárias, continue explorando nossa editoria de Política.
Contato: Fale com Nossas Equipes
Foto: Divulgação