A decisão de comprar imóvel em 2026 se tornou um tema central de discussão no mercado imobiliário. A expectativa de uma eventual queda da taxa Selic, com projeções de que ela possa atingir 12,25% até o fim do próximo ano, intriga muitos brasileiros que planejam adquirir a casa própria. A principal questão que emerge desse cenário é se compensa aguardar por taxas de juros mais reduzidas ou se a antecipação é a melhor estratégia no momento.
No Brasil, a prudência é um comportamento comum quando o assunto é o mercado financeiro, especialmente considerando o histórico de juros elevados, com a Selic historicamente próxima da média de 13%. Contudo, especialistas consultados pelo InfoMoney trazem um alerta importante: a postergação da compra pode acarretar custos significativos.
Comprar Imóvel em 2026: Vale Esperar Selic Cair?
Atualmente, as taxas de financiamento imobiliário, que utilizam recursos do Sistema Brasileiro de Poupança (SBP), apresentam uma média nos principais bancos que começa em aproximadamente 11,29% ao ano. A essa taxa soma-se a Taxa Referencial (TR), que funciona como correção do saldo devedor e acumula cerca de 1,97% nos últimos doze meses. Esse panorama configura uma taxa efetiva anual em torno de 13,26%, sem considerar outras tarifas cobradas pelas instituições financeiras. É exatamente essa onerosidade presente que muitos compradores almejam mitigar com uma possível redução da Selic no futuro.
A Relação Inversa entre Selic e Preços Imobiliários
Contrariando a intuição de muitos, a orientação dos especialistas é clara: não, não faz sentido prolongar a espera por uma queda substancial da Selic. O planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, Jeff Patzlaff, explica que a correlação entre a Selic e o valor dos imóveis é inversa ao que comumente se pensa. Quando as taxas de juros recuam, os imóveis tendem a experimentar uma valorização. Esse movimento é impulsionado pelo maior acesso ao crédito por parte da população, resultando em um aumento da demanda e, consequentemente, em uma elevação dos preços cobrados pelos vendedores, conforme Patzlaff detalha.
Isso significa que um comprador em potencial que postergar a aquisição na esperança de juros mais baixos pode ver o preço do imóvel aumentar. Dessa forma, a economia prevista nas parcelas do financiamento, devido à redução da taxa, pode ser neutralizada ou até superada pela valorização do próprio bem. Patzlaff sugere uma abordagem proativa: a melhor tática consiste em contratar o empréstimo agora e, futuramente, quando a Selic efetivamente declinar, renegociar a taxa ou realizar a portabilidade do crédito para outra instituição bancária com condições mais favoráveis.
O Impacto Duradouro da Queda da Selic e a Reação dos Bancos
Embora uma diminuição percentual na Selic possa parecer discreta à primeira vista, seus efeitos no longo prazo são bastante expressivos. De acordo com o economista Fabio Ongaro, a multiplicação desses impactos ao longo de um financiamento de extensa duração é de grande relevância. Ele ressalta que poucos pontos percentuais de redução nos juros representam uma quantia muito significativa, seja na forma de economia ou de um agravamento do custo, visto que os efeitos se amplificam ao longo do tempo. O economista e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, corrobora a agilidade das instituições bancárias em repassar as mudanças na taxa básica de juros: os repasses pelos bancos são geralmente rápidos, tanto para cima quanto para baixo, alinhando-se à definição da Selic pelo Banco Central do Brasil. Para mais informações sobre o comportamento da Taxa Selic, é sempre recomendado consultar a fonte oficial.
Contudo, Jeff Patzlaff acrescenta uma importante ressalva, especialmente para contratos de longíssimo prazo. Ele argumenta que o financiamento imobiliário pode não absorver a queda da Selic tão rapidamente quanto outros tipos de crédito. Isso porque, em contratos que podem durar de 30 a 35 anos, os bancos analisam projeções futuras para definir a taxa. Assim, mesmo que a Selic caia no presente, se a perspectiva do banco for de instabilidade econômica futura, a taxa do financiamento pode ser mantida em um patamar elevado. Apesar disso, Ongaro sugere que a grande demanda por juros mais baixos no mercado pode impulsionar uma reação mais ágil do que o usual, sobretudo em operações de curto prazo, como as de financiamento automotivo.
INCC: O Índice Essencial para Imóveis na Planta
Enquanto a redução da Selic beneficia primordialmente o financiamento de imóveis prontos, aqueles que optam pela compra na planta precisam focar a atenção em outro indicador crucial: o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC). Bruno Perri sublinha que, para imóveis em construção, a Selic tem uma influência menor no curto prazo. Até a entrega do imóvel, o INCC se mostra mais relevante, pois é ele quem atualiza o saldo devedor que será financiado posteriormente.
Patzlaff detalha o funcionamento do índice na prática: a parte do saldo que o comprador deve à construtora, referente ao montante ainda não financiado com o banco, é ajustada mensalmente pelo INCC. Consequentemente, uma elevação nesse índice resulta em um aumento da dívida total, mesmo que as parcelas mensais estejam sendo quitadas em dia. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado), calculado pela FGV, registrou um aumento de 6,41% nos doze meses encerrados em novembro de 2025. Para 2026, as projeções não indicam alívio. Com o mercado de construção aquecido e a mão de obra pressionada, Perri estima que o indicador permanecerá acima da inflação ao consumidor (IPCA). Patzlaff complementa que, se a taxa de juros recuar em 2026, a economia tenderá a ficar mais aquecida, o que impulsionará a elevação do INCC.
Detalhes Cruciais na Negociação de um Imóvel
Além da taxa de juros e do INCC, Patzlaff recomenda aos compradores agirem como “detetives” nas entrelinhas dos contratos:
- Seguros e Taxas: É comum que bancos incluam seguros que não são essenciais juntamente com o financiamento. O conselho é investigar e buscar outras taxas, como a de abertura de cadastro. A recomendação é comparar simulações entre diferentes bancos e analisar sempre o valor total da parcela mensal.
- Correção Monetária: Para imóveis prontos, é fundamental verificar se a correção se dá pelo IPCA ou pela Taxa Referencial (TR). Já para imóveis na planta, o fator de correção é sempre o INCC.
- Entrada e FGTS: Com os juros ainda em patamares elevados, o planejador financeiro sugere uma tática eficaz: quanto maior for o valor da entrada, menos juros compostos serão pagos ao longo do tempo. Além disso, se houver saldo disponível, utilizar o FGTS para amortizar a dívida é uma excelente decisão, sem hesitação.
2026: Um Ano de Oportunidades no Mercado Imobiliário
Na análise de Bruno Perri, 2026 pode configurar um bom momento para adquirir imóveis já prontos ou aqueles com entrega iminente. Ele justifica essa perspectiva pelo cenário atual de desaquecimento da demanda, provocado pelos juros altos, que pode pressionar as incorporadoras a oferecerem bons descontos. Essa condição permite que o comprador ingresse no negócio com um preço mais baixo e tenha a chance de realizar a portabilidade da dívida futuramente, caso a Selic apresente queda. Jeff Patzlaff reforça a dica com uma estratégia de “caça a pechinchas”: o período atual se mostra oportuno, pois muitos que compraram na planta há anos podem não conseguir finalizar o financiamento na entrega das chaves, devido às taxas elevadas. Isso resulta em devoluções, criando oportunidades de mercado. Ele aconselha ficar atento a essas chances, pois é possível encontrar ágios de apartamentos quase finalizados sendo vendidos por preços atrativos, visando evitar perdas.
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Em resumo, a decisão de comprar imóvel em 2026 envolve mais do que a simples espera pela queda da Selic. Fatores como a valorização do imóvel, o INCC para plantas, a atenção às taxas bancárias e a capacidade de dar uma boa entrada são cruciais. Mantenha-se informado sobre as análises do mercado financeiro em nossa editoria de Economia para tomar decisões estratégicas e vantajosas na busca pelo imóvel ideal.
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