Ações TIM e Vivo Caem Forte Após Balanços do 2T

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As ações TIM e Vivo apresentaram uma significativa desvalorização no mercado nesta terça-feira (28), logo após a divulgação dos balanços do segundo trimestre (2T). Os papéis da Telefônica Brasil (VIVT3), operadora da Vivo, encerraram o dia com perdas de 5,98%, alcançando o valor de R$ 33,83. Similarmente, os ativos da TIM (TIMS3) registraram uma queda de 5,81%, sendo negociados a R$ 20,25 ao fechamento. Este cenário reflete a repercussão das análises de diversas instituições financeiras sobre o desempenho das companhias no período.

A reação do mercado destaca a cautela dos investidores frente aos resultados. Embora ambas as empresas tenham mostrado pontos positivos em seus relatórios, os aspectos que preocupam os analistas foram determinantes para o movimento negativo dos títulos na bolsa. A intensa competitividade no setor e despesas acima do esperado foram fatores cruciais.

Ações TIM e Vivo Caem Forte Após Balanços do 2T

O mercado de telecomunicações brasileiro continua a ser um ambiente desafiador, com as operadoras buscando manter suas margens em meio à guerra por clientes e investimentos em infraestrutura. A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026, com resultados relevantes, orienta o panorama para a alocação de investimentos futuros, impulsionando a revisão de metas e projeções por parte dos grandes bancos e casas de análise.

Desempenho da Vivo Sob Lupa dos Analistas

Para o Bradesco BBI, o desempenho da Vivo (VIVT3) foi classificado como “misto”. Daniel Federle e Flávia Meireles, analistas da instituição, apontaram para uma aceleração no crescimento da receita de serviços e uma resiliência notável no segmento móvel, indicando a melhor performance entre as principais operadoras. Contudo, o lucro líquido reportado de R$ 1,6 bilhão ficou 11,6% abaixo da projeção do Bradesco BBI, em razão de um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) inferior ao esperado e custos mais elevados de depreciação e amortização. Apesar do avanço resiliente na receita móvel e na melhora do FTTH (Fiber To The Home), o Bradesco BBI manteve sua recomendação “neutra”, com um preço-alvo de R$ 39,00 para as ações da Telefônica Brasil.

O Goldman Sachs, por sua vez, observou um mix de receitas aquém das expectativas, principalmente impulsionado pelas vendas de aparelhos que superaram as estimativas. A Receita de Serviços Móveis (MSR) da Vivo cresceu 6,6%, ritmo idêntico ao trimestre anterior, porém inferior à projeção de 6,9% do banco. Esse resultado gerou pressão sobre o Custo dos Produtos Vendidos (CPV), mas foi parcialmente atenuado pela gestão de despesas com pessoal, que recuaram 0,5 ponto percentual ano a ano. Diante desse cenário, o Goldman Sachs reiterou a classificação de “venda” e estabeleceu um preço-alvo de R$ 36,50 para VIVT3.

Na análise do JPMorgan, a Telefônica exibiu um bom rendimento no segundo trimestre de 2026, com a receita de serviços móveis mantendo o ritmo de expansão do primeiro trimestre. Segundo o banco, essa consistência contrasta com a desaceleração percebida em concorrentes como TIM e Claro, levando a receita da Vivo a ultrapassar levemente suas estimativas. Entretanto, a rentabilidade da empresa, ao desconsiderar ganhos de venda de ativos, ficou aquém do previsto. Como resultado, o EBITDA se alinhou às projeções, enquanto o lucro líquido veio abaixo, impactado por maiores despesas com depreciação, amortização e encargos financeiros. O JPMorgan manteve a recomendação de “venda”, com um preço-alvo de R$ 33.

A avaliação do Itaú BBA destaca que a Vivo continua a demonstrar um crescimento robusto na receita de vendas de títulos (MSR) e avança em sua estratégia de convergência. Esse movimento reforça a solidez da execução da companhia em um cenário macroeconômico e competitivo cada vez mais desafiador. Com base nesses pontos, o Itaú BBA reiterou sua recomendação “neutra” para as ações, fixando um preço-alvo de R$ 38.

Por fim, a Monte Bravo classificou os resultados da Vivo como “mistos”. Embora o desempenho das receitas tenha sido positivo, as margens revelaram-se ligeiramente abaixo das expectativas, e a geração de caixa foi impactada tanto pelas margens menores quanto pelos investimentos acima do previsto. A Monte Bravo, apesar de reconhecer a Vivo como uma empresa de excelente qualidade, expressou dificuldades em visualizar um “upside” (potencial de valorização) significativo nos preços atuais de negociação das ações. Assim, a casa de análise manteve a recomendação “neutra” e um preço-alvo de R$ 31.

Resultados da TIM e a Pressão do Mercado

Para a TIM (TIMS3), o Bradesco BBI observou resultados negativos, em função de uma significativa desaceleração da receita móvel gerada por clientes. O banco ressaltou que, apesar de o EBITDA ter ficado praticamente em linha com o previsto e as métricas de rentabilidade e geração de caixa se manterem saudáveis, o panorama geral reforça a percepção de que a intensificação da concorrência no mercado móvel exerce pressão sobre a performance operacional da operadora. Além disso, o Bradesco BBI apontou um aumento de 38,1% ano a ano nas despesas com inadimplência, exacerbadas pela situação de um cliente específico no segmento B2B/Wholesale. A receita de fibra óptica também mostrou desaceleração, crescendo 9,5% contra 11,4% no primeiro trimestre de 2026. Diante dessas informações, o BBI reiterou a recomendação “neutra” para TIMS3, com um preço-alvo de R$ 26,00.

A equipe do Goldman Sachs pontuou que a receita e a margem EBITDA ajustada da TIM vieram em linha com suas projeções. O banco destacou que o desempenho mais robusto das receitas de serviços fixos conseguiu compensar as receitas menos expressivas com a venda de aparelhos. O lucro líquido da companhia também ficou em conformidade com as estimativas do Goldman, registrando apenas 0,5% abaixo do esperado. Segundo a análise, um resultado financeiro 16% inferior ao previsto foi balanceado por uma alíquota efetiva de imposto reduzida, apesar de a base de comparação para as despesas financeiras ser desafiadora. Mantendo sua posição, o Goldman Sachs reiterou a recomendação “neutra”, com um preço-alvo de R$ 26 para as ações.

A avaliação do JPMorgan sobre a TIM revelou um trimestre de performance mista. Embora o EBITDA ajustado tenha superado as estimativas do banco em 3% e se alinhado ao consenso de mercado, esse ponto positivo foi parcialmente ofuscado por um crescimento mais fraco na receita de serviços móveis. A Receita de Serviços Móveis (MSR) da TIM desacelerou para 4,6% na comparação anual, um resultado que ficou abaixo da projeção do JPMorgan (5,1%) e do consenso de mercado (4,9%). Essa performance representa o ritmo de crescimento mais lento da companhia desde 2021. Em resposta, o JPMorgan optou por manter a recomendação “neutra” para as ações da TIM.

Para o Itaú BBA, o balanço da TIM (TIMS3), em sua maior parte, alinhou-se às expectativas do mercado. Esse resultado contribui para mitigar o risco de revisões negativas nas projeções de consenso para o final de 2026, após a performance abaixo do esperado no primeiro trimestre. O banco sugere que o baixo posicionamento dos investidores também pode oferecer suporte às ações no curto prazo, apesar dos obstáculos macroeconômicos previstos para a segunda metade do ano. O Itaú BBA indicou três pontos principais para os investidores monitorarem de perto: a estratégia e execução da migração de clientes pré-pagos para pós-pagos e a precificação, especialmente face ao cenário de inadimplência crescente; a sustentabilidade da recuperação das margens operacionais; e os desdobramentos da estratégia de convergência, sobretudo após o lançamento do UltraCombo e seus potenciais impactos na alocação de capital da empresa. O banco manteve a recomendação “neutra” para a TIM, ressaltando que as ações negociam com um dividend yield próximo de 10% e um preço-alvo de R$ 30. Acompanhe a dinâmica do mercado de telecomunicações no Brasil acessando notícias relevantes sobre análises financeiras em Valor Econômico.

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Em suma, os resultados do segundo trimestre revelaram um cenário complexo para TIM e Vivo. Enquanto a Vivo apresentou pontos fortes em crescimento de receita de serviços móveis e estratégias de convergência, sofreu com o lucro líquido e a rentabilidade abaixo do previsto por alguns analistas. A TIM, por sua vez, foi impactada por uma desaceleração da receita móvel e despesas com inadimplência elevadas, apesar de um EBITDA em linha. Os desafios do mercado competitivo e o panorama macroeconômico seguem ditando a cautela dos bancos de investimento, resultando em quedas expressivas das ações. Para se manter informado sobre as últimas movimentações do setor e análises de mercado, explore mais conteúdo na editoria de Economia de nosso site.

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