As mortes de migrantes em custódia do ICE nos Estados Unidos voltaram a pautar as preocupações de direitos humanos logo no início de 2026. Um relatório governamental revelou que quatro indivíduos faleceram enquanto estavam sob os cuidados das autoridades de imigração estadunidenses durante os primeiros dez dias do ano. Esta sequência trágica surge após um ano de 2025 que registrou um número recorde de óbitos em centros de detenção, período sob a administração do então presidente Donald Trump.
Os lamentáveis incidentes ocorreram entre 3 e 9 de janeiro e envolveram dois migrantes originários de Honduras, um de Cuba e outro do Camboja, conforme divulgado pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês). As mortes adicionam uma camada de crítica à já intensa fiscalização de fronteiras e às condições dos centros de detenção no país, alimentando debates sobre as responsabilidades das agências federais.
Mortes de Migrantes em Custódia do ICE Marcam Início de 2026
A recente onda de falecimentos sob custódia se soma a um cenário de tensão crescente, incluindo um incidente notável onde uma mãe de Minnesota foi morta por um agente do ICE, provocando significativos protestos em Minneapolis e outras cidades dos EUA. Esse contexto social e político eleva o escrutínio sobre as operações do órgão e as políticas imigratórias da nação. O governo Trump, durante seu mandato anterior, implementou e defendeu medidas visando acelerar o processo de deportações, resultando em um aumento notável no número de migrantes em detenção.
Dados fornecidos pelo ICE indicavam que, em 7 de janeiro de 2026, a agência mantinha 69.000 pessoas sob detenção. A expectativa é que este número se eleve ainda mais, em decorrência de um substancial aporte financeiro aprovado pelo Congresso dos EUA no ano anterior, direcionado especificamente para as operações do Serviço de Imigração e Alfândega. Esta expansão orçamentária é vista por muitos como um sinal da intenção de intensificar ainda mais as ações de fiscalização e detenção.
No ano de 2025, um recorde preocupante foi estabelecido: ao menos 30 pessoas faleceram sob custódia do ICE. Este patamar representou o índice mais alto em duas décadas, de acordo com as próprias estatísticas divulgadas pela agência. A Diretora de Advocacia da Detention Watch Network, Setareh Ghandehari, classificou o alto número de mortes como “verdadeiramente espantoso”, apelando publicamente para o fechamento dos centros de detenção de migrantes. Tanto o Departamento de Segurança Interna dos EUA quanto o ICE não emitiram comentários imediatos em resposta a estes pedidos de organizações de direitos humanos.
Casos Individuais Relevam Variedade de Causas
Entre os falecidos está Geraldo Lunas Campos, um cidadão cubano de 55 anos. Ele faleceu em 3 de janeiro no centro de detenção Camp East Montana, uma instalação inaugurada pelo governo Trump nas dependências de Fort Bliss, no Texas. O ICE declarou que está conduzindo uma investigação sobre o ocorrido com Lunas. Segundo a agência, o detento apresentava comportamento alterado, foi isolado e, posteriormente, encontrado em estado de sofrimento. A equipe de emergência médica presente declarou seu óbito no local.
Os outros dois detentos falecidos eram de Honduras: Luis Gustavo Nunez Caceres, de 42 anos, e Luis Beltran Yanez-Cruz, de 68 anos. Ambos foram vítimas de problemas cardíacos e morreram em hospitais regionais, um na área de Houston e outro em Indio, Califórnia, respectivamente em 5 e 6 de janeiro. A informação sobre as causas foi divulgada pelo ICE, destacando a vulnerabilidade da população em detenção diante de condições médicas preexistentes ou agravadas.
Imagem: infomoney.com.br
Um homem cambojano de 46 anos, identificado como Parady La, também veio a óbito em 9 de janeiro. La faleceu devido a graves sintomas de abstinência de drogas no Centro de Detenção Federal na Filadélfia, um espaço que o Serviço de Imigração e Alfândega começou a utilizar no ano anterior. As circunstâncias destas mortes levantam questões sobre a capacidade e a preparação das instalações de detenção para lidar com a complexidade das condições de saúde e bem-estar dos migrantes, incluindo suporte médico e psiquiátrico.
Implicações da Política Migratória Anterior
Durante a gestão anterior, o governo Trump promoveu uma drástica redução na concessão de libertações por razões humanitárias para migrantes detidos. Esta política impulsionou alguns a optar pela deportação voluntária, ao invés de enfrentar períodos prolongados e incertos de detenção. A rigorosa postura influenciou diretamente o volume de pessoas em custódia e, consequentemente, o número de incidentes graves, incluindo falecimentos. As famílias e ativistas argumentam que a detenção prolongada em condições inadequadas contribui para o agravamento da saúde física e mental dos detidos.
Diante do cenário complexo, analistas e ativistas frequentemente apontam para a necessidade de revisões profundas nas políticas de imigração e nas práticas de custódia. Para entender mais sobre as discussões globais sobre este tema e a condição dos migrantes em diversos contextos, você pode consultar o relatório mundial sobre migrações da Organização Internacional para as Migrações (OIM), uma fonte respeitada que oferece dados e análises abrangentes sobre o tema.
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As mortes de migrantes em custódia do ICE representam um grave lembrete dos desafios humanitários e das complexidades inerentes à política de imigração dos Estados Unidos. Este tipo de notícia ressalta a importância de um debate contínuo e transparente sobre as condições dos centros de detenção, o acesso à saúde e o tratamento dispensado a indivíduos sob custódia, em conformidade com as leis e direitos humanos internacionais. Para continuar acompanhando as análises sobre política e as últimas notícias envolvendo as relações internacionais e a atuação governamental, visite nossa editoria de Política.
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Crédito da imagem: Agência Brasil